O quadrinho do Doctor Strange mais valioso da Era de Prata é Strange Tales #110 (julho de 1963), primeira aparição do Feiticeiro Supremo: um exemplar CGC 9,6 foi vendido por US$ 150.000 na Heritage Auctions em abril de 2024. Nossa ferramenta de estimativa via eBay não cobre as séries Strange Tales, Doctor Strange nem Marvel Premiere — portanto, nenhuma mediana dessa ferramenta é citada neste guia.

Doctor Strange é uma criação da Era de Prata da Marvel. O personagem Stephen Strange — cirurgião genial reconvertido em Feiticeiro Supremo — surge em Strange Tales #110, datado de julho de 1963. A gênese do personagem é atribuída principalmente a Steve Ditko, que submeteu a Stan Lee uma história de cinco páginas com um novo tipo de herói dotado de poderes místicos. Os dois colaboraram na série até a saída de Ditko em 1966, entregando um run fundador cujo estilo surrealista e psicodélico permanece inigualável. Strange Tales era na época uma série compartilhada, alternando as aventuras do Tocha Humana com as de Doctor Strange em histórias de apoio (backup) — uma particularidade editorial que distingue esses números dos quadrinhos de personagem único.

Este guia reúne os números-chave verificáveis do run da Era de Prata (1963–1968), com os recordes de leilão documentados pela Heritage Auctions, Sell My Comic Books e a imprensa especializada. Onde nenhum número confiável pôde ser verificado, mantemos uma abordagem qualitativa.

Ranking das edições-chave da Era de Prata de Doctor Strange (dados de mercado documentados)

Os quatro grandes grails do run Ditko/Lee se concentram no período de 1963–1964. Como nossa ferramenta eBay não indexa essas séries, o ranking se baseia em vendas públicas documentadas.

NúmeroImportânciaFerramenta eBayDados de mercado documentados
Strange Tales #110 (jul. 1963)1a aparição de Doctor Strange, Ancião, Nightmare, WongSérie fora do escopo — sem medianaUS$ 150.000 em CGC 9,6 · Heritage Auctions, abril de 2024
Strange Tales #115 (dez. 1963)Origem de Doctor Strange (acidente de carro, viagem até o Ancião)Série fora do escopo — sem medianaUS$ 16.730 em CGC 9,6 · Heritage Auctions, nov. 2017
Strange Tales #126 (nov. 1964)1a aparição de Dormammu e de CleaSérie fora do escopo — sem medianaRecorde documentado ~US$ 2.800 · Sell My Comic Books
Strange Tales #127 (dez. 1964)1a aparição da Capa de Levitação e do Olho de AgamottoSérie fora do escopo — sem medianaRecorde documentado ~US$ 20.300 · Sell My Comic Books
Strange Tales #138 (1965)1a aparição de EternitySérie fora do escopo — sem medianaCGC 9,6 ~US$ 1.795 · mercado ativo, valor qualitativo

Fontes: Heritage Auctions, Sell My Comic Books, GoCollect. A ferramenta eBay deste site não cobre as séries Strange Tales, Doctor Strange nem Marvel Premiere.

Strange Tales #110 (1963): o grail absoluto da Era de Prata Marvel

Lançado nas bancas no verão de 1963, Strange Tales #110 apresenta Stephen Strange em cinco páginas roteirizadas por Stan Lee e desenhadas por Steve Ditko. A história inaugural — "Dr. Strange Master of Black Magic!" — mergulha imediatamente o leitor em uma dimensão onírica povoada de criaturas pesadelescas, com Nightmare como primeiro antagonista. A mesma edição traz um episódio do Tocha Humana, lembrando que Strange Tales era então um título antológico. O número também apresenta o Ancião (o mestre de Strange), Wong (seu servo, ainda anônimo) e Nightmare.

No mercado atual, Strange Tales #110 ocupa a 22ª posição no guia Overstreet entre os 50 quadrinhos mais importantes da Era de Prata. O recorde oficial está fixado em US$ 150.000 por um exemplar CGC NM+ 9,6 páginas marfim a branco, vendido na Heritage Auctions em 7 de abril de 2024. Os dados compilados pela Sell My Comic Books indicam vendas recentes em CGC 9,4 em torno de US$ 48.000 e em CGC 9,2 em torno de US$ 42.500. Os graus intermediários também estão muito ativos: CGC 6,0 em torno de US$ 11.100, CGC 4,0 em torno de US$ 4.080. A raridade estrutural desse número em nota muito alta — poucos colecionadores de 1963 conservavam seus quadrinhos em condições ideais — justifica o prêmio exponencial sobre os exemplares de grau elevado.

Strange Tales #115 (1963): a origem de Stephen Strange

Datado de dezembro de 1963, Strange Tales #115 dedica uma história inteira à origem de Doctor Strange — uma raridade editorial para uma história de apoio de cinco páginas. Stan Lee e Steve Ditko entregam a história de um cirurgião genial cujo ego desmedido é quebrado por um acidente de carro que lhe destrói as mãos. Incapaz de operar e se recusando a se rebaixar a funções subalternas, Stephen Strange gasta toda a sua fortuna buscando uma cura impossível, até se ver desesperado no Tibete, onde descobre o caminho místico junto ao Ancião. Essa história de redenção atravessou praticamente intacta todas as adaptações do personagem — o filme do MCU de 2016 segue suas linhas gerais de perto.

No mercado secundário, Strange Tales #115 é a peça indispensável para quem quer possuir a origem em versão primária. Um exemplar CGC NM+ 9,6 foi arrematado por US$ 16.730 na Heritage Auctions em novembro de 2017, antes do pico de mercado pós-MCU. A cotação qualitativa atual em grau elevado é superior a esse número segundo observadores, embora nenhum novo recorde público tenha sido documentado nas fontes consultadas.

Strange Tales #126–127 (1964): Dormammu, Clea e os artefatos icônicos

Strange Tales #126 (novembro de 1964) apresenta dois personagens fundamentais para a mitologia do Feiticeiro Supremo: Dormammu, o senhor da Dimensão Sombria, e Clea, a misteriosa mulher de cabelos prateados que se tornará aluna e depois companheira de Strange. Stan Lee e Steve Ditko assinam a história "The Domain of the Dread Dormammu!" — o título por si só já mede a ambição visual e narrativa da dupla. A cotação documentada pela Sell My Comic Books situa o recorde em torno de US$ 2.800, um nível coerente com o de uma edição-chave de suporte da Era de Prata Marvel.

Strange Tales #127 (dezembro de 1964) dá continuidade ao arco: nele, Doctor Strange recebe do Ancião a Capa de Levitação e o Olho de Agamotto, os dois artefatos que definem sua iconografia desde então. Esses acessórios, reproduzidos de forma idêntica no MCU, conferem ao número um valor simbólico particular para os colecionadores de crossover entre quadrinhos e cinema. A Sell My Comic Books documenta um recorde em torno de US$ 20.300 para esse número, valor superior ao de #126 devido à importância dos artefatos apresentados.

O impacto do MCU na cotação das edições-chave da Era de Prata

A franquia Doctor Strange no cinema alimentou diretamente a demanda pelos números da Era de Prata. Doctor Strange (2016, com Benedict Cumberbatch no papel de Stephen Strange) arrecadou US$ 678 milhões em bilheteria mundial. Doctor Strange in the Multiverse of Madness (2022, dirigido por Sam Raimi) ultrapassou os US$ 955 milhões. O personagem também aparece em Avengers: Guerra Infinita, Avengers: Ultimato e Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021). Essa presença recorrente no MCU sustenta uma demanda constante pelas edições-chave de primeira aparição, mesmo que os preços nos graus baixo e médio tenham se estabilizado após o pico de 2021–2022.

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