O número de Doctor Strange mais documentado continua sendo Strange Tales #110 (julho de 1963), primeira aparição do Feiticeiro Supremo criado por Stan Lee e Steve Ditko: um exemplar CGC 9,6 foi arrematado por 60.000 $ em 2016. Mas as verdadeiras oportunidades — os sleepers — estão escondidas em números esquecidos da Era de Prata: Strange Tales #126-127 (Dormammu, Cléa, Eternidade), Strange Tales #138 (primeira aparição de Eternidade) e Marvel Premiere #3 (1972), raridade da Era de Bronze com arte de Barry Windsor-Smith.

Doctor Strange nasceu nas páginas de Strange Tales #110, datado de julho de 1963. Essa revista compartilhada — o Tocha Humana ocupava as primeiras páginas, Strange as últimas — abrigava uma história complementar de cinco a dez páginas que Stan Lee e Steve Ditko transformaram em uma das criações mais singulares da Marvel na Era de Prata. O próprio Ditko submeteu a ideia a Lee; Strange é um personagem ancorado na magia, em dimensões alternativas e na filosofia oriental, bem distante dos super-homens irradiados que então povoavam as bancas. Dois filmes do MCU confirmam depois a grandeza do personagem: Doctor Strange (2016, 677,8 milhões de dólares em bilheteria mundial) e Doctor Strange in the Multiverse of Madness (2022, 955,8 milhões de dólares), sem contar suas aparições em Avengers: Infinity War, Endgame e Spider-Man: No Way Home.

Nosso estimador do eBay não cobre as séries Strange Tales, Doctor Strange nem Marvel Premiere: esses títulos estão fora do escopo da ferramenta. Todos os dados numéricos deste artigo vêm, portanto, exclusivamente de fontes da web documentadas — sellmycomicbooks.com, Heritage Auctions, GoCollect, ComicConnect, comicbookdaily.com. Onde não existe dado confiável, mantemos uma abordagem qualitativa em vez de inventar números.

As chaves da Era de Prata: da primeira aparição às grandes ameaças

Os números mais significativos da Era de Prata formam uma hierarquia clara. Strange Tales #110 (julho de 1963) é a primeira aparição — primeiro Strange, primeiro encontro com Pesadelo, primeira menção ao Mestre das Artes Místicas. Um CGC 9,6 atingiu 60.000 $ em 2016, segundo o sellmycomicbooks.com. A origem completa é contada em Strange Tales #115 (dezembro de 1963) — um CGC 8,5 foi arrematado no Heritage Auctions, e o recorde documentado para a série chega a 16.730 $ (CGC 9,6, Heritage 2017). Depois vem Strange Tales #111 (agosto de 1963), primeira aparição do Barão Mordo, cujo exemplar CGC 9,8 com pedigree Pacific Coast atingiu 20.315 $, segundo os dados disponíveis.

NúmeroImportânciaRecorde documentado
Strange Tales #110 (jul. 1963)1a aparição de Doctor Strange e Pesadelo60.000 $ (CGC 9,6, 2016 — sellmycomicbooks.com)
Strange Tales #111 (ago. 1963)1a aparição do Barão Mordo20.315 $ (CGC 9,8 pedigree Pacific Coast)
Strange Tales #115 (dez. 1963)Origem completa de Doctor Strange16.730 $ (CGC 9,6, Heritage 2017)
Strange Tales #126 (nov. 1964)1as aparições de Dormammu e Cléa2.800 $ (recorde da série — sellmycomicbooks.com)
Strange Tales #127 (dez. 1964)Continuação de Dormammu — Capa da Levitação e Olho de Agamotto20.300 $ (CGC 9,8 — sellmycomicbooks.com)
Strange Tales #138 (nov. 1965)1a aparição de EternidadeCGC 9,6: cerca de 1.795 $ (dalerobertscomics.com)
Doctor Strange #169 (jun. 1968)Primeiro número sob o título solo7.800 $ (recorde da série — sellmycomicbooks.com)

Fontes: sellmycomicbooks.com, Heritage Auctions, dalerobertscomics.com, GoCollect. Lembrete: os recordes refletem os exemplares mais bem avaliados em CGC — os exemplares não avaliados (ungraded) ou em estado mediano ficam bem abaixo desses valores.

Strange Tales #126-127: Dormammu, Cléa e o verdadeiro início do mito

Strange Tales #126 (novembro de 1964) é um dos sleepers menos comentados da série. É, no entanto, a edição que introduz simultaneamente Dormammu — o arqui-inimigo de Strange, soberano da Dimensão Sombria — e Cléa, sua futura aliada e parceira romântica. Ambos foram criados por Stan Lee e Steve Ditko. O número #127 (dezembro de 1964) dá continuidade direta ao arco e introduz os artefatos icônicos: a Capa da Levitação e o Olho de Agamotto. Essas duas edições formam um díptico narrativo indissociável.

O que chama atenção é o desequilíbrio nas cotações: o recorde documentado para Strange Tales #127 chega a 20.300 $ em CGC 9,8 — um patamar comparável ao de Strange Tales #111 (Barão Mordo), ainda assim considerado uma chave de primeira linha. No entanto, #127 recebe bem menos atenção nos fóruns de colecionadores. Cléa é uma potencial personagem do MCU ainda inexplorada nos cinemas, o que representa um catalisador latente caso ela seja adaptada em uma futura produção da Marvel Studios. A dupla #126-127 constitui, portanto, um par coerente de sleepers da Era de Prata para um orçamento intermediário.

Strange Tales #138: a primeira aparição de Eternidade, ainda fora do radar

Strange Tales #138 (novembro de 1965) é a primeira aparição de Eternidade, entidade cósmica que personifica o próprio universo e que retornará em diversas sagas importantes da Marvel. A edição traz layouts de Jack Kirby. Ela não recebe o mesmo nível de atenção que as primeiras aparições de Dormammu ou do Barão Mordo, embora o personagem Eternidade esteja entre as criações conceitualmente mais ambiciosas da dupla Lee/Ditko.

Os dados disponíveis mostram um CGC 9,4 listado por cerca de 600-620 $ em revendedores especializados (dalerobertscomics.com), e um CGC 9,6 por aproximadamente 1.795 $. Esses valores permanecem sensivelmente inferiores aos das primeiras aparições de Dormammu (#126) ou de Mordo (#111), para um personagem de estatura cósmica comparável. É exatamente esse desconto relativo que torna esta edição um sleeper interessante dentro da linha Era de Prata de Doctor Strange.

Marvel Premiere #3 (1972): o sleeper da Era de Bronze de Barry Windsor-Smith

Após a interrupção da série em 1969, Doctor Strange retorna em 1972 em Marvel Premiere #3 (datado de julho de 1972). Esse número marca a primeira aparição de Strange nesse título guarda-chuva da Era de Bronze. É roteirizado por Stan Lee e desenhado por Barry Windsor-Smith — cuja capa é considerada pelos colecionadores uma das mais belas do período, com sua característica moldura preta fosca do formato de 20 centavos da época. A arte-final é de Dan Adkins.

O que torna esse número particularmente interessante é a raridade em notas altas: segundo uma análise do comicbookdaily.com, o censo da CGC contava apenas 40 exemplares avaliados em 9,6 ou superior — em comparação com os 311 exemplares de Doctor Strange #1 (1974) no mesmo nível. Um CGC 9,6 de Marvel Premiere #3 foi negociado por cerca de 337 $, e um 9,4 por cerca de 165 $, enquanto o Doctor Strange #1 (1974) ultrapassava os 400 $ em CGC 9,6 sobre populações bem maiores. Em uma base ajustada pela população, o Marvel Premiere #3 aparece claramente subvalorizado. É o tipo de edição que os generalistas ignoram, por falta de um título chamativo, mas que os especialistas do personagem conhecem bem.

Doctor Strange #169 (1968): primeiro título solo, ainda acessível

Quando Strange Tales se torna compartilhada demais para conter Strange e Nick Fury/S.H.I.E.L.D., a Marvel cria Doctor Strange #169 em junho de 1968, dando continuidade à numeração de Strange Tales (que havia parado em #168). É, portanto, o primeiro número do primeiro título solo dedicado inteiramente a Stephen Strange. A história de Roy Thomas resgata a origem do personagem; a arte e a capa são de Dan Adkins. O recorde documentado chega a 7.800 $, segundo o sellmycomicbooks.com, e o Overstreet Guide 2022 o avalia em 1.400 $ em NM- (9,2) — um patamar que permanece abaixo do que se poderia esperar para o número inaugural de uma série solo dessa época.

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