A edição-chave mais valiosa de Doctor Strange é Strange Tales #110 (julho de 1963), primeira aparição do Feiticeiro Supremo criado por Steve Ditko e Stan Lee: um exemplar CGC 9,6 atingiu US$ 60.000 em uma venda documentada, e um CGC 9,4 foi arrematado por US$ 55.200 em 2020. É um quadrinho da Era de Prata — Doctor Strange nasceu em 1963, na era Ditko mais criativa da Marvel. O caminho até o Sanctum Sanctorum passa por um punhado de edições indispensáveis, do quadrinho de apoio em Strange Tales até o run de Jason Aaron de 2015.

Doctor Strange é a criação mais singular de Steve Ditko na Marvel. Segundo o próprio Ditko, foi ele quem levou a Stan Lee uma história desenhada a lápis de cinco páginas com um conceito de personagem inteiramente novo — o que se tornaria Strange Tales #110, datado de julho de 1963. Lee confirmou a iniciativa criativa de Ditko em uma carta de 1963: « 'twas Steve's idea and I figured we'd give it a chance. » O personagem divide a revista Strange Tales com o Tocha Humana (edições #101-134) e depois com Nick Fury (a partir do #135): apenas as histórias de Doctor Strange dessas edições são clássicos-chave do personagem, não a revista inteira. A série ganha título próprio com Doctor Strange #169 (junho de 1968), que dá continuidade à numeração de Strange Tales. As adaptações do MCU — Doctor Strange (2016, US$ 677,8 milhões em bilheteria mundial), Doctor Strange in the Multiverse of Madness (2022, US$ 955,8 milhões), e suas aparições em Infinity War, Endgame e Spider-Man: No Way Home (2021) — consolidaram profundamente o personagem na cultura pop mundial.

Este guia se atém ao verificável: recordes documentados pela Heritage Auctions, GoCollect, sellmycomicbooks.com e ComicConnect. Importante: nosso estimador do eBay não cobre as séries Strange Tales, Doctor Strange (1968) nem Marvel Premiere — nenhuma mediana do eBay dessa ferramenta pode ser citada honestamente para esses títulos. As cotações abaixo vêm exclusivamente de vendas documentadas na web.

Classificação das edições-chave de Doctor Strange (recordes documentados)

As séries Strange Tales, Doctor Strange (1968) e Marvel Premiere não são indexadas pelo nosso estimador do eBay. Todos os dados abaixo vêm de fontes especializadas na web (Heritage Auctions, GoCollect, sellmycomicbooks, ComicConnect).

EdiçãoImportânciaEraRecorde documentado
Strange Tales #110 (jul. 1963)1ª aparição de Doctor Strange, Ancião, Nightmare, WongEra de PrataUS$ 60.000 (CGC 9,6); US$ 55.200 (CGC 9,4, 2020)
Strange Tales #115 (dez. 1963)Origem de Doctor Strange (origem recontada)Era de PrataUS$ 16.730 (CGC 9,6, 2017)
Strange Tales #126 (nov. 1964)1ª aparição de Dormammu e CleaEra de PrataNão documentado publicamente em grande escala
Strange Tales #138 (nov. 1965)1ª aparição de EternityEra de PrataExemplares CGC 9,6 ativos em torno de US$ 1.795
Doctor Strange #169 (jun. 1968)Primeiro solo sob título próprioEra de Prata (final)US$ 7.800 (recorde, sellmycomicbooks)
Marvel Premiere #3 (jul. 1972)Relançamento da Era de Bronze — Barry Windsor-SmithEra de BronzeExemplares CGC 9,6 ativos em torno de US$ 337
Doctor Strange vol. 2 #1 (jun. 1974)Nova série solo — 1ª aparição de Silver DaggerEra de BronzeUS$ 1.295 (recorde, sellmycomicbooks)

Fontes dos recordes: Heritage Auctions, sellmycomicbooks.com, GoCollect, ComicConnect, PriceCharting.

Strange Tales #110 (1963): o graal da Era de Prata

Publicado em julho de 1963, Strange Tales #110 é o ponto de partida absoluto de toda coleção de Doctor Strange. A história — « Dr. Strange, Master of Black Magic! » — é concebida por Steve Ditko, que traz o conceito e o desenho; Stan Lee assina os diálogos. A edição apresenta em uma única história Doctor Strange, o Ancião, Nightmare e Wong. Aviso importante: Strange Tales é um título compartilhado — é o quadrinho de apoio de Doctor Strange, não a história do Tocha Humana na capa, que torna esta edição uma clássica-chave. Um exemplar CGC 9,6 atingiu US$ 60.000 em uma venda documentada; um CGC 9,4 foi arrematado por US$ 55.200 em 2020 e US$ 48.000 em 2021. Um CGC 9,2 era negociado em torno de US$ 42.500 em 2022, um CGC 8,5 em torno de US$ 19.000. Esta edição continua sendo um dos quadrinhos da Era de Prata da Marvel mais líquidos, impulsionado pela demanda gerada pelo MCU.

Strange Tales #115 (1963) e as outras edições-chave da Era de Prata

Strange Tales #115 (dezembro de 1963) é a história de origem completa de Stephen Strange — como o cirurgião brilhante perde o uso das mãos em um acidente e descobre a magia com o Ancião. Um exemplar CGC 9,6 foi arrematado por US$ 16.730 em 2017. As edições da Era de Prata seguintes constroem o mito do personagem: Strange Tales #126 (novembro de 1964) apresenta Dormammu e Clea — figuras icônicas do personagem. Strange Tales #138 (novembro de 1965) marca a primeira aparição de Eternity, a entidade cósmica; exemplares CGC 9,6 são vistos em torno de US$ 1.795. Essas edições, menos badaladas que a #110, seguem sendo compras estratégicas para o colecionador que acompanha toda a continuidade de Ditko.

Doctor Strange #169 (1968): o primeiro solo sob título próprio

Doctor Strange #169 (junho de 1968) não cria uma nova série: ele dá continuidade à numeração de Strange Tales, da qual é o sucessor direto depois que Nick Fury e o Tocha Humana deixaram o título. A série é rebatizada com o nome do Feiticeiro Supremo. O roteiro é de Roy Thomas, os desenhos de Dan Adkins. É uma edição do fim da Era de Prata, essencial para todo colecionador que quer possuir o primeiro número do título solo. O recorde documentado é de US$ 7.800, segundo a sellmycomicbooks, com um valor mínimo de US$ 15 em estado qualquer. A série curta (1968-69) termina no #183, antes do relançamento na Era de Bronze.

Marvel Premiere #3 (1972) e o run da Era de Bronze

Depois de uma interrupção, Doctor Strange retorna em Marvel Premiere a partir do número #3 (julho de 1972), uma série antológica. O #3 é ilustrado e corroteirizado (plot) por Barry Windsor-Smith, com diálogos de Stan Lee e arte-finalização de Dan Adkins — é o relançamento do personagem na Era de Bronze. A partir do #9, Steve Englehart e Frank Brunner assumem o personagem para um run psicodélico unanimemente elogiado pela crítica, classificado entre os dez melhores runs da Marvel dos anos 1970 pela Comics Bulletin. O título Doctor Strange (vol. 2) recomeça em junho de 1974 com o #1 — primeira edição de uma nova série, que também apresenta Silver Dagger. Exemplares CGC 9,6 de Marvel Premiere #3 são negociados em torno de US$ 337; o recorde de Doctor Strange vol. 2 #1 é de US$ 1.295, segundo a sellmycomicbooks. Essas edições da Era de Bronze seguem muito acessíveis se comparadas aos graais da Era de Prata.

Montar uma coleção completa: o roteiro

Uma coleção coerente de Doctor Strange pode se organizar em três níveis. Primeiro nível — os graais: Strange Tales #110 e #115, para os quais é necessário um orçamento de vários milhares de dólares mesmo em grade médio. Segundo nível — as edições-chave secundárias da Era de Prata: Strange Tales #126 e #138, Doctor Strange #169 — mais acessíveis, mas com forte demanda. Terceiro nível — a Era de Bronze e o moderno: Marvel Premiere #3-14, Doctor Strange vol. 2 (1974-1987), Doctor Strange: Sorcerer Supreme #1 (1988) e o run de Jason Aaron / Chris Bachalo de 2015. Este último nível continua muito acessível e oferece uma leitura contínua de grande qualidade. Para quem prioriza a leitura, o omnibus Doctor Strange: Master of the Mystic Arts Omnibus Vol. 1 (Englehart/Brunner) reúne o run de referência da Era de Bronze.

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