Harley Quinn nasceu em 1992 pela pena de Paul Dini e o lápis de Bruce Timm. Seu primeiro comic é The Batman Adventures #12 (setembro de 1993), valor de referência em CGC 9,8: US$ 3.250 na edição regular e até US$ 5.280 na variante newsstand (dados SellMyComicBooks, 2024). Trinta anos depois, ela é descrita por Jim Lee, editor da DC, como o "quarto pilar" da editora, ao lado de Superman, Batman e Mulher-Maravilha.
São raros os personagens de quadrinhos cujo nascimento se pode datar com precisão de minutos. Harley Quinn é uma dessas exceções: ela aparece pela primeira vez na tela em 11 de setembro de 1992, no episódio "Joker's Favor" de Batman: The Animated Series, previsto para um único episódio. Seu sucesso imediato junto ao público sela seu futuro. O que diferencia sua história editorial das outras grandes ícones da DC é que se trata de um personagem inteiramente moderno — nascido na era Copper/Modern Age, sem raízes na Era de Ouro, na Era de Prata ou na Era de Bronze. Suas edições-chave começam em 1993. É também, algo incomum, um personagem cujas etapas mais importantes estão associadas a equipes criativas precisamente identificáveis.
Este guia percorre as contribuições de cada artista ou autor que marcou profundamente o personagem, e identifica os comics que decorrem disso para os colecionadores.
Paul Dini e Bruce Timm: os pais fundadores (1992–1994)
Paul Dini é roteirista e produtor executivo de Batman: The Animated Series; Bruce Timm é o diretor de arte e produtor principal. Juntos, eles concebem Harley Quinn como uma assistente cômica do Coringa, inspirada em Arleen Sorkin — amiga de Dini e atriz da série Days of Our Lives. Timm se apoia na estética da commedia dell'arte: touca de bobo da corte, traje losangular vermelho e preto, máscara. O personagem é propositalmente simplificado para a animação, mas imediatamente memorável.
A colaboração entre os dois atinge seu apogeu em fevereiro de 1994 com The Batman Adventures: Mad Love, um one-shot publicado pela DC Comics em formato prestige. Dini narra ali a origem da Dra. Harleen Quinzel, psiquiatra do Asilo Arkham que se apaixona pelo Coringa. Timm assina sozinho os desenhos. O resultado é aclamado pela crítica especializada e vence, em 1994, o Eisner Award de melhor história completa e o Harvey Award de melhor história em número único — uma dupla premiação excepcional para um comic derivado de uma franquia animada. Mad Love já foi reeditado diversas vezes, sinal de uma demanda constante. É a referência absoluta para quem se interessa pela origem do personagem.
The Batman Adventures #12 (1993): a edição-chave de coleção
A primeira aparição de Harley Quinn em comic book acontece em The Batman Adventures #12, publicado em setembro de 1993 (às vezes datado como setembro de 1992 em algumas fontes, mas a data de venda em banca é setembro de 1993). Esse número — desenhado por Ty Templeton e Rick Burchett, na linha editorial ligada à série animada — é hoje o grail Modern Age do personagem. Não se trata de um comic da Era de Ouro, nem da Era de Prata ou de Bronze: Harley Quinn simplesmente não existia antes de 1992. Os colecionadores em busca de um exemplar "vintage" desse personagem começam por aqui.
O mercado de 2024 posiciona esse número numa faixa sólida segundo a SellMyComicBooks: um CGC 9,8 edição regular vale cerca de US$ 3.250, e a variante newsstand em CGC 9,8 chega a US$ 5.280. Abaixo de CGC 9,0, as cópias permanecem acessíveis, mas perdem valor significativamente conforme os níveis documentados. Mais de 9.000 cópias estão certificadas pela CGC — um número elevado que atenua a raridade absoluta, mas a demanda constante ligada às adaptações para cinema e animação mantém os preços das notas mais altas.
Alex Ross: a entrada de Harley no universo DC principal (1999)
Após sete anos existindo principalmente na linha "universo animado" da DC, Harley Quinn faz sua entrada no universo DC principal por meio de Batman: Harley Quinn #1, publicado em outubro de 1999. O roteiro é de Paul Dini; a capa pintada é assinada por Alex Ross. Esse one-shot prestige — 52 páginas, capa a US$ 5,95 — marca oficialmente a passagem do personagem para a continuidade mainstream.
Alex Ross já era, na época, um dos artistas mais respeitados do meio, conhecido por suas capas e interiores fotorrealistas em Marvels (1994) e Kingdom Come (1996). Sua capa de Batman: Harley Quinn #1 — uma pintura a óleo em que o Coringa e Harley dançam um tango — vence o Eisner Award de melhor artista de capas em 2000, prêmio concedido coletivamente por seus trabalhos do ano. Esse número também existe em variante assinada e numerada (tiragem limitada a 2.500 exemplares, com certificado Dynamic Forces), mais procurada, mas difícil de avaliar por falta de vendas regulares documentadas.
Karl Kesel e Terry Dodson: a primeira série solo (2000)
Em outubro de 2000, Harley Quinn ganha sua primeira série mensal solo, escrita por Karl Kesel e desenhada por Terry Dodson e Rachel Dodson. A série vai até 2004 (38 números) e consolida o personagem de forma independente em Gotham City, longe da sombra do Coringa. É uma virada narrativa importante: Harley deixa de ser definida apenas por sua relação com o Coringa. O número #1 é uma edição-chave de coleção por ser a primeira série solo, mas costuma permanecer acessível para quem está começando.
Amanda Conner e Jimmy Palmiotti: a versão moderna popular (2013)
Em 2013, o relançamento New 52 dá a Harley Quinn uma segunda série solo, entregue ao roteirista Jimmy Palmiotti e à autora-desenhista Amanda Conner. A abordagem é radicalmente diferente das encarnações anteriores: um tom burlesco, uma Harley proprietária de um prédio em Coney Island, ex-jogadora de roller derby. Conner co-roteiriza a série e assina parte das capas, contribuindo para firmar uma estética reconhecível. A série dura até 2016 (30 números) e é hoje o run mais vendido em coletâneas da história do personagem. Foi esse run que mais diretamente influenciou a representação de Harley no cinema.
O número #1 de Harley Quinn vol. 2 (2013) não é um grail de coleção — está disponível em grande quantidade —, mas os variant covers assinados e as edições especiais do período 2013–2016 são ativamente procurados pelos fãs de Conner.
As adaptações e seu impacto no mercado
Esquadrão Suicida (2016), com Margot Robbie no papel de Harley, arrecadou US$ 749,2 milhões em bilheteria mundial para um orçamento de 175 milhões. Aves de Rapina (2020), centrado no personagem, totalizou US$ 205,5 milhões — abaixo das expectativas, mas suficiente para confirmar a consolidação de Harley em solo no cinema. A série animada Harley Quinn (2019, com a voz de Kaley Cuoco) segue em produção até hoje, com pelo menos cinco temporadas exibidas. Cada nova adaptação gera um novo interesse pelas edições-chave de origem, em especial The Batman Adventures #12 e Mad Love.
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