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V de Vingança, de Alan Moore e David Lloyd, existe em três formas originais. Primeiro em preto e branco, em folhetim na revista britânica Warrior (Quality Communications), da #1 de março de 1982 à #26 de fevereiro de 1985, data em que a revista termina e deixa a história inacabada. Depois em cores, numa minissérie de dez edições publicada pela DC Comics de setembro de 1988 a maio de 1989, que retoma os episódios de Warrior e traz o final, inédito a partir da #7. Por fim em encadernadas, entre elas a edição Absolute de agosto de 2009. Na França, a narrativa sai pela Zenda já em 1989 e depois em integral pela Delcourt (1999), Panini (2009, nova tradução) e Urban Comics (2012). Para uma coleção, as duas peças de origem são as edições de Warrior e a DC #1 de 1988.

Para a maioria dos leitores, V de Vingança é um livro: um volume encadernado, uma máscara sorridente na capa, uma história completa. É no entanto uma das obras de percurso editorial mais acidentado dos quadrinhos de língua inglesa. Começou numa revista britânica em preto e branco, interrompeu-se no meio de um capítulo, dormiu três anos e depois foi concluída e colorida por uma editora americana.

Esse percurso faz de V de Vingança um objeto de coleção singular. Não há « um » primeiro número, mas dois, em dois países, em dois formatos, com seis anos de diferença. Este guia desembaraça essas publicações, depois as edições francesas, e indica o que realmente merece um lugar numa coleção.

As edições-chave de V de Vingança por ordem de importância

Primeira vida: o folhetim de Warrior (1982-1985)

Warrior é uma antologia britânica lançada pelo editor Dez Skinn na Quality Communications. A primeira edição tem data de março de 1982. A revista reúne várias séries curtas por edição, nos moldes dos semanários ingleses, mas em formato mensal e para um público mais velho. V de Vingança convive ali em especial com o Marvelman de Alan Moore.

Skinn havia pedido a Moore e a David Lloyd, que já tinham trabalhado juntos, uma narrativa sombria no espírito dos pulps dos anos 1930. Os dois autores escolhem por fim um futuro próximo em vez de um passado reconstituído: uma Grã-Bretanha tornada fascista depois de uma guerra nuclear e um anarquista mascarado que se propõe a derrubá-la.

Os episódios saem em preto e branco, desenhados por Lloyd com grandes manchas de sombra e sem onomatopeias. Quase toda edição de Warrior contém um, até a #26 de fevereiro de 1985. Algumas edições são exceção: a #17 publica em vez disso um texto de Moore, « Behind the Painted Smile », que conta a gênese da série, e a #20 uma curta vinheta, « Vincent ». A #5 também contém uma vinheta, « Vertigo ».

W1

Warrior #1

Março de 1982 · Quality Communications · preto e branco
A verdadeira primeira aparição

É o primeiro episódio publicado de V de Vingança e, portanto, a primeira aparição de V e de Evey Hammond. A edição contém também o primeiro episódio do Marvelman de Moore, o que faz dela uma peça dupla de história. O formato revista, maior e mais flexível que um quadrinho americano, exige atenção especial ao estado da lombada e dos cantos.

Para saber: muitos colecionadores consideram erroneamente a DC #1 de 1988 como a primeira aparição. A DC #1 é a primeira edição americana e a primeira em cores, não a primeira publicação.

Em 1985, a Quality Communications encerra Warrior. Duas edições adicionais estavam prontas, com os episódios seguintes de V, mas não saem. A narrativa se interrompe no fim do segundo livro, e várias editoras tentam então convencer Moore e Lloyd a terminá-la com elas.

Segunda vida: as dez edições DC (1988-1989)

É a DC Comics que obtém a continuação. A editora publica em 1988 e 1989 uma minissérie de dez edições, no formato de quadrinho americano, com colorização confiada a Steve Whitaker e Siobhan Dodds, com David Lloyd. A #1 tem data de setembro de 1988, a #10 de maio de 1989.

As seis primeiras edições retomam os episódios de Warrior, coloridos. O material novo começa na #7: contém primeiro os episódios previstos para as edições 27 e 28 de Warrior, nunca publicadas, e depois o fim da narrativa. Tony Weare desenha o capítulo « Vincent » e participa de outros dois.

Edição DCData de capaConteúdo
#1 a #6setembro a dezembro de 1988Episódios de Warrior em cores
#7janeiro de 1989Primeiros episódios inéditos (os de Warrior #27 e #28) e interlúdios
#8 a #10fevereiro a maio de 1989Fim da narrativa, inteiramente inédito
DC1

V for Vendetta #1 (DC)

Setembro de 1988 · DC Comics · cores
A peça mais procurada

É a edição mais procurada da obra: primeiro fascículo americano, primeiro em cores, capa icônica e distribuição bem mais ampla que a de Warrior, portanto mais fácil de achar. As dez edições formam uma sequência curta e coerente, que é realista completar.

Para saber: a #7 merece atenção especial, já que abre o material inédito. Para um leitor que já possui Warrior, é a primeira edição que traz algo de novo.

O conteúdo: três livros, uma narrativa

Seja qual for o suporte, a narrativa se divide em três livros. « Europe After the Reign » instala a Grã-Bretanha de Norsefire e o encontro entre V e Evey. « This Vicious Cabaret » termina onde Warrior se interrompeu. « The Land of Do-As-You-Please » é o livro escrito e desenhado depois da retomada pela DC. Somam-se interlúdios fora da continuidade e o ensaio de Moore, retomado na maioria das encadernadas.

Essa divisão tem uma consequência de leitura que os colecionadores conhecem bem: os dois primeiros livros foram pensados para o preto e branco. A cor da edição DC, sóbria e muitas vezes surda, foi concebida para respeitar o desenho de Lloyd, mas muda a percepção de certas pranchas. Ler as duas versões não é capricho de erudito, é ver duas obras ligeiramente diferentes.

O filme de 2005 bebeu nesses três livros modificando profundamente o propósito. Nosso artigo V de Vingança, o filme frente aos quadrinhos detalha essas diferenças. Aqui, ficamos nas edições em papel.

As encadernadas em inglês

A primeira encadernada em um volume sai nos Estados Unidos em maio de 1990, com prefácio de David Lloyd. As reedições seguintes são publicadas sob o selo Vertigo da DC e, no Reino Unido, por uma editora de livros licenciada. Uma nova edição encadernada, com impressão e cores melhoradas, sai em 2005. Em agosto de 2009, a DC publica uma edição Absolute, em grande formato com estojo.

Essas encadernadas fizeram de V de Vingança um sucesso duradouro de livraria: a DC indicava em 2006 ter vendido mais de 500 000 exemplares nos Estados Unidos. É também o que explica que os fascículos de origem tenham continuado objetos de colecionador, lidos por uma minoria.

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As edições francesas, de Zenda a Urban Comics

Na França, a obra teve quatro editoras sucessivas, cada uma com seu formato e, para uma delas, sua própria tradução.

1

Zenda, desde 1989

A primeira edição francesa sai pela Zenda em álbuns sucessivos, a partir de 1989, quase ao mesmo tempo que o fim da série DC. A tradução é assinada por Jacques Collin. Para um colecionador francês, são as edições originais em língua francesa, a distinguir das reimpressões.

2

Delcourt, integral de 1999

A Delcourt publica a obra em um único volume em 1999, em sua coleção Contrebande, dedicada aos quadrinhos adultos. É a edição que apresentou o livro a uma geração de leitores franceses.

3

Panini, 2009

A Panini Comics publica uma integral em sua coleção Vertigo Deluxe em 2009, com uma nova tradução de Alex Nikolavitch. É a única edição francesa que não retoma o texto de Jacques Collin.

4

Urban Comics, desde 2012

Depois da retomada do catálogo DC e Vertigo na França, a Urban Comics publica por sua vez uma integral em 2012, que volta à antiga tradução de Jacques Collin. É a edição disponível hoje.

A coexistência de duas traduções interessa ao leitor tanto quanto ao colecionador: os trocadilhos em « V » que pontuam o texto original foram vertidos de forma diferente. Nosso comparativo edição original francesa ou reedição explica por que, no mercado francês, uma primeira edição de álbum se distingue nitidamente das integrais seguintes.

O que colecionar e em que ordem

A escolha depende do que você busca: a obra como foi concebida, o objeto mais reconhecido ou uma biblioteca de leitor.

A

A coleção de leitor

Uma integral em francês, eventualmente a Absolute
O mais simples

Uma integral francesa basta para ler a obra completa, ensaio e interlúdios incluídos. Se você lê inglês, a edição Absolute de 2009 oferece o melhor conforto de leitura e o maior formato para apreciar o desenho de Lloyd.

Para saber: escolha sua tradução com conhecimento de causa: Jacques Collin na Zenda, Delcourt e Urban, Alex Nikolavitch na Panini.
B

A coleção americana

As dez edições DC de 1988-1989
A melhor relação entre esforço e interesse

Dez fascículos, distribuição ampla, um primeiro número icônico: é a sequência mais realista de completar em bom estado. Comece pela #1, depois pela #7, que abre a parte inédita, antes de preencher o resto.

Para saber: verifique o estado da lombada e dos cantos, pois os fascículos do fim dos anos 1980 costumam estar marcados por anos de leitura.
C

A coleção de origem

As edições de Warrior, da #1 à #26
A mais exigente

Reunir as edições de Warrior que contêm V de Vingança é possuir a obra em seu estado primeiro, em preto e branco, tal como Moore e Lloyd a desenharam. É também reunir ao mesmo tempo o Marvelman de Moore. A dificuldade está no formato revista e numa distribuição britânica limitada.

Para saber: a #1 de março de 1982 é a peça central. As edições sem episódio de V (a #17, a #20) fazem mesmo assim parte da história da obra, já que contêm o ensaio e uma vinheta.

Para situar essa obra na carreira de seu roteirista, veja nossa história de Alan Moore. Para seu outro grande livro da década, publicado também pela DC, nosso guia de coleção de Watchmen segue a mesma abordagem.

Perguntas frequentes

O primeiro episódio sai em Warrior #1, revista britânica em preto e branco publicada pela Quality Communications e com data de março de 1982. É, portanto, a primeira aparição de V e de Evey. A V for Vendetta #1 da DC, com data de setembro de 1988, é muitas vezes apresentada como a primeira edição, mas é na verdade a primeira edição americana e a primeira em cores, seis anos depois do início do folhetim.
A série DC tem dez edições, publicadas de setembro de 1988 a maio de 1989. Antes disso, a narrativa saiu em folhetim na revista Warrior, da #1 de março de 1982 à #26 de fevereiro de 1985, com episódios em quase todas as edições. As seis primeiras edições DC retomam esses episódios em cores, e o material inédito começa na #7.
Porque a editora britânica Quality Communications encerrou a revista Warrior em 1985. Duas edições adicionais estavam prontas, com a continuação da narrativa, mas não foram publicadas. A história ficou inacabada no fim do segundo livro por três anos, até que a DC Comics a retomasse em 1988 numa minissérie em dez edições que a levou ao fim.
Não. Em Warrior, de 1982 a 1985, os episódios saem em preto e branco, e David Lloyd os havia concebido assim, com grandes manchas de sombra. A cor chega com a série DC de 1988-1989, feita por Steve Whitaker e Siobhan Dodds com Lloyd. Uma nova edição encadernada de 2005 melhorou a impressão e as cores, e a edição Absolute de 2009 oferece o maior formato.
A edição disponível é a integral da Urban Comics, lançada em 2012, que retoma a tradução histórica de Jacques Collin, já usada pela Zenda em 1989 e pela Delcourt em 1999. A integral da Panini, de 2009, propõe outra tradução, assinada por Alex Nikolavitch. Para um colecionador, os álbuns Zenda são as edições originais francesas; para um leitor, a integral atual basta.
A V for Vendetta #1 da DC (setembro de 1988) é a mais procurada: primeiro fascículo americano, primeiro em cores, capa icônica. A Warrior #1 de março de 1982 é mais importante historicamente, já que contém o primeiro episódio, mas é mais difícil de achar em bom estado. A DC #7 também merece um lugar, pois abre a parte inédita da narrativa.
Aviso sobre marcas: V de Vingança, Warrior, Marvelman e os nomes de personagens mencionados são marcas registradas de suas respectivas editoras ou titulares de direitos. CGC é uma marca registrada da Certified Guaranty Company. A My Comics Collection não é afiliada a nenhuma editora de quadrinhos. As referências são feitas para fins puramente informativos e descritivos.