Para ler Kieron Gillen, abra Journey into Mystery (Marvel, 2011-2012, edições 622 a 645), em que Loki retorna como criança. Continue com Young Avengers (2013, com Jamie McKelvie), depois Star Wars: Darth Vader (2015, com Salvador Larroca). Avance para The Wicked + The Divine (Image, desde 2014), depois para o mais erudito Phonogram, e termine com Die (2018, com Stephanie Hans).
Kieron Gillen construiu uma obra em torno de um único tema abordado por caminhos muito diferentes: o que histórias, canções e jogos fazem com as pessoas que os amam. Na Marvel, esse tema passa por um deus nórdico ou por uma equipe de adolescentes; na Image, dá origem a séries de fantasia musical ou lúdica. Este caminho vai do mais acolhedor ao mais exigente.
Como sempre neste guia, apenas os fatos verificados (autores, edições, datas) são apresentados como fatos; a análise é nossa, sem reprodução de arte ou diálogos protegidos.
Como este caminho está organizado
Gillen escreveu para a Marvel, para a Image, para a BOOM! Studios e para outras editoras, muitas vezes com os mesmos desenhistas. Em vez de seguir as datas, ordenamos pela distância até a entrada: uma série que se sustenta sozinha vem antes de uma que pressupõe a mitologia da Marvel, e esta vem antes dos projetos que pedem conhecimento musical ou gosto pela experimentação. Cada etapa diz o que convém saber antes de abri-la.
Gillen ainda não tem página biográfica neste guia. Enquanto isso, nosso ranking dos melhores runs de Loki serve de referência, com Journey into Mystery no topo. O que você encontra aqui é um roteiro de leitura, não uma história de carreira.
Etapa 1: Journey into Mystery (2011-2012), edições 622 a 645
Depois da aparente morte de Loki em Siege, o deus da trapaça renasce como criança. Gillen retoma o antigo título que vira o nascimento de Thor e Loki em 1962 e o transforma numa comédia sombria e terna, em que o herói precisa provar que não é mais o que as pessoas esperam. Os arcos se sucedem com desenhistas diferentes, entre eles Doug Braithwaite e Richard Elson, sem que a voz da história se perca.
O começo do run acontece durante o evento Fear Itself, o que dá à edição 622 algum contexto, mas a trama continua legível sem ele. Por que começar aqui? Porque o personagem é apresentado do zero, a série termina de forma limpa na edição 645 e já contém as obsessões do escritor: a narrativa como poder e um destino que se recusa a herdar. O guia de leitura de Loki situa este run no caminho completo do deus.
Uma nota para colecionadores: a página de Loki reúne os dossiês sobre o personagem, incluindo o das edições-chave, útil se você quiser entender o peso deste run diante dos marcos mais antigos.
Etapa 2: Young Avengers (2013-2014), com Jamie McKelvie
Gillen e o desenhista Jamie McKelvie relançam Young Avengers em 2013 com uma equipe em que se cruzam Kate Bishop, Wiccan, Hulkling e um Loki adolescente trazido do run anterior. A série tem quinze edições, se afasta da rotina das equipes de super-heróis e privilegia as relações entre os personagens, num estilo visual bem pop. O conjunto se lê melhor quando se leva em conta o que Journey into Mystery preparou para Loki.
Esta etapa mostra como Gillen abre um universo para leitores que não entravam pelos grandes eventos. Também importa aos fãs de Kate Bishop: nosso ranking dos melhores runs de Hawkeye o coloca em quarto lugar, como continuação útil da série de 2012. Para situar a equipe, a página dos Vingadores continua sendo a melhor base.
A série tem uma peculiaridade de colecionismo: o traço de McKelvie, tanto nas capas quanto no miolo, tem uma linha nítida que se mantém bem nas reedições encadernadas. As edições avulsas são comuns e ainda não se formou um valor de mercado para esses números, então a escolha do formato depende do conforto de leitura.
Etapa 3: Star Wars: Darth Vader (2015), com Salvador Larroca
Depois que a Disney adquiriu a licença de Star Wars, a Marvel relançou sua série ambientada na galáxia muito distante, e Gillen escreveu Darth Vader por vinte e cinco edições com Salvador Larroca. A ação se passa entre os dois primeiros filmes da trilogia original: Vader, humilhado após a destruição da Estrela da Morte, tenta reconquistar seu lugar ao lado do Imperador. O ângulo é o de um vilão a quem se concede um ponto de vista, com uma secura que combina com a armadura negra.
A série também marca a primeira aparição de Doctor Aphra, uma arqueóloga sem escrúpulos criada por Gillen na edição 3. A personagem ganhou depois uma série própria, escrita a partir do fim de 2016 com Kev Walker na arte. Se o universo de Star Wars atrai você, pode estender a leitura com este spin-off, que se separa o suficiente para ser lido sozinho.
É a etapa mais fácil de abordar depois de Journey into Mystery: não é preciso conhecer quadrinhos, os filmes bastam. O guia para colecionar Star Wars na Marvel explica como se orientar entre as séries da mesma época.
Etapa 4: The Wicked + The Divine (Image, 2014-2019), com Jamie McKelvie
A premissa de The Wicked + The Divine cabe numa frase: a cada noventa anos, doze deuses reencarnam em adolescentes, e morrem dois anos depois. A época é a nossa, e as divindades viraram estrelas da cena musical. Gillen escreve a série com McKelvie, que desenha os personagens como ícones da moda, e o colorista Matthew Wilson dá ao conjunto uma paleta vibrante. A série tem quarenta e cinco edições, além de especiais.
Este título é mais exigente que os anteriores em dois pontos. Primeiro, o tom desliza rapidamente da fantasia para o luto, o que pode surpreender. Segundo, a história usa o mistério como motor, então as primeiras páginas recompensam uma releitura depois do final. É para o leitor que acha que a forma faz parte do sentido, e para quem conhece ou aprecia a cultura pop recente.
É também a melhor vitrine da dupla Gillen e McKelvie, e um exemplo de série de autor que encontrou seu público tanto nas livrarias quanto nas lojas de quadrinhos. Para entender o contexto editorial desse tipo de projeto, o guia de colecionismo da Image mapeia o cenário da editora.
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Etapa 5: Phonogram (2006-2015), com Jamie McKelvie
Phonogram é o projeto fundador da colaboração com McKelvie. O primeiro ciclo, Rue Britannia, saiu em 2006 pela Image e acompanha uma personagem capaz de usar a música como magia, num Londres marcado pelo pop britânico dos anos 1990. O segundo ciclo, The Singles Club, muda a proposta, e o terceiro, The Immaterial Girl, apareceu em 2015. Tudo se lê em três volumes.
Por que ela fica na quinta posição? Porque o prazer depende do conhecimento musical do leitor. As referências apontam para bandas e canções específicas; sem elas, você capta a ideia mas perde parte da sutileza. Os volumes não são raros, e a escolha depende sobretudo da sua relação com a música. É também o título em que melhor se percebe como Gillen trabalha: uma ideia simples, desenvolvida até virar estrutura.
A série prepara o terreno para The Wicked + The Divine, anunciando-a com seu gosto por ícones e rituais. Lida depois, parece um manifesto; lida antes, serve de treino para a forma.
Etapa 6: Die (Image, 2018), com Stephanie Hans
Die é uma fantasia inspirada em RPG: um grupo de adolescentes desaparece durante uma sessão de jogo e reaparece décadas depois, adulto e traumatizado. Gillen desenvolve um mundo de jogo em que cada classe de personagem reflete um traço psicológico, e Stephanie Hans o pinta com uma paleta rica, bem longe da linha limpa de McKelvie. A série tem vinte edições.
Ela fecha este caminho porque exige sensibilidade para RPG e tolerância à escuridão. Die é a mais recente das seis etapas, e o mercado ainda não fixou um ponto de referência para ela. Não vale citar aqui nem uma adaptação nem uma proporção de capas variantes, por falta de informações confiáveis.
Se Die agradar, o mesmo roteirista também escreveu Once & Future (BOOM! Studios, 2019, com Dan Mora), uma reescrita do mito arturiano, e Three (Image, 2013, com Ryan Kelly), sobre os hilotas de Esparta. Deixamos ambos fora da ordem principal, mas eles estendem esse território de forma natural.
As séries da Marvel para deixar para depois
Gillen também escreveu Iron Man (2012), Uncanny X-Men (2011), Eternals (2021) e Immortal X-Men (2022), mas esses títulos servem sobretudo ao leitor que conhece bem a continuidade. Para Sabretooth, Gillen escreveu em 2009, com Dan Panosian, um one-shot, X-Men Origins: Sabretooth, que nosso ranking de runs de Sabretooth considera um bom retrato curto do personagem. Leia-o à parte, sem ligação com o resto deste caminho.
Como ler: edições avulsas ou encadernadas
Nas séries mais antigas da Marvel, como Journey into Mystery, as edições originais continuam fáceis de encontrar, e as edições encadernadas seguem a sequência sem problemas. A edição 622, que abre o run, é a que os colecionadores mais pedem avulsa. Para Young Avengers, as quinze edições são fáceis de reunir; uma edição encadernada basta para quem quer apenas ler.
Para Darth Vader, uma ressalva: a série faz parte de um conjunto de títulos de Star Wars publicados ao mesmo tempo, e as edições encadernadas não reúnem todas as mesmas edições. Para The Wicked + The Divine, as edições encadernadas têm a vantagem de agrupar os especiais no lugar certo. Phonogram e Die se compram facilmente em volumes.
As séries de 2018 a 2024 não têm valor de mercado estabelecido. Para avaliá-las, observe a duração da série, as reimpressões da primeira edição e o destino das capas variantes, que só serão citadas se tivermos verificado. Compare várias vendas concluídas antes de tirar conclusões, em vez de confiar num anúncio ativo.
Resumo: a ordem recomendada
- Etapa 1: Journey into Mystery (2011-2012), edições 622 a 645, a entrada pela Marvel.
- Etapa 2: Young Avengers (2013-2014), com Jamie McKelvie, a equipe de jovens heróis.
- Etapa 3: Star Wars: Darth Vader (2015), com Salvador Larroca, a licença.
- Etapa 4: The Wicked + The Divine (Image, 2014-2019), a série de autor mais conhecida.
- Etapa 5: Phonogram (2006-2015), a mais erudita.
- Etapa 6: Die (Image, 2018), com Stephanie Hans, a mais sombria e a mais recente.
Para um leitor com pressa, bastam três títulos: Journey into Mystery, The Wicked + The Divine e Die, que cobrem os três registros do escritor. Para continuar explorando, o blog oferece outros caminhos desse tipo.
Perguntas frequentes
Comece com Journey into Mystery, edições 622 a 645 (2011-2012). A história apresenta Loki do zero, termina de forma limpa e já contém os temas do escritor. Se preferir uma série fora da Marvel, The Wicked + The Divine, da Image, é a melhor opção.
Não. O run gira em torno de Loki criança e não exige leitura prévia das histórias de Thor. O começo coincide com Fear Itself, do qual basta uma ideia geral. O ranking de runs de Loki confirma que este título é a entrada mais acolhedora.
Sim. As vinte e cinco edições de Gillen e Larroca se leem sozinhas e se apoiam mais nos filmes do que nos outros quadrinhos da licença. Doctor Aphra, que estreou na edição 3, ganhou depois uma série própria, que você pode ler separadamente.
Ajuda muito. As referências a bandas e canções específicas alimentam a história, e sem elas você perde parte da sutileza. Não é um impedimento, mas é por isso que a série ocupa a quinta posição do caminho e não a primeira.
Ainda não, no caso das mais recentes, como Die (2018). Com o tempo, a demanda seguirá o porte da série, as reimpressões da primeira edição e as capas variantes. Compare várias vendas concluídas antes de comprar e não confie em um único anúncio.
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