O melhor ponto de entrada para descobrir Bullseye continua sendo o culto de Frank Miller em Temerário, onde o assassino se torna um dos vilões mais terríveis da Marvel. Foi lá que ele ganhou seu status de ícone, com o arco que custou a vida de Elektra e estabeleceu para sempre sua reputação como “aquele que nunca erra o alvo”.

Bullseye não é um supervilão como os outros. A rigor, ele não tem superpoderes: sua única habilidade é transformar qualquer objeto em uma arma mortal com precisão sobre-humana. Um clipe de papel, uma carta de baralho, um lápis – tudo se torna letal em suas mãos. Criado em 1976 pelo roteirista Marv Wolfman e pelo artista John Romita Sr.Temerário, ele se estabeleceu ao longo das décadas como o inimigo absoluto do Homem Sem Medo, mas também como um peão valioso nos grandes afrescos editoriais da Marvel.

Ao contrário de um herói com sua própria série de longa duração, Bullseye é acima de tudo um antagonista: ele brilha na série de seus anfitriões, principalmente Temerário, mas também em grandes sagas de times como o Vingadores Sombrios ou o Raios. Este guia oferece-lhe, portanto, uma viagem fundamentada, construída em torno das suas aparições decisivas e da sua rara série central, para compreender porque é que este psicopata gelado fascina tanto os leitores.

Seja você um novo leitor curioso para entender o hype em torno do personagem, ou um colecionador em busca de estruturar sua leitura, aqui está a ordem que recomendo para domar um dos assassinos mais temidos do universo Marvel.

Melhor ponto de entrada: a corrida de Frank Miller no Demolidor

Se você tivesse que ler apenas uma coisa para entender o Bullseye, seria a série de Frank Miller sobre Temerário, iniciado no final da década de 1970. Miller, primeiro um designer e depois um completo escritor-cartunista, pega um personagem secundário do estábulo da Marvel e o transforma na figura obsessiva que conhecemos hoje.

É nessa corrida que acontece o confronto mais famoso de toda a carreira de Bullseye: o assassinato de Elektra, o amor juvenil de Matt Murdock, empalado sozinho pelo assassino. Esta cena, publicada no início dos anos 1980, é um dos momentos mais memoráveis ​​da história dos quadrinhos e redefiniu o que um vilão poderia fazer em um título mainstream. A partir daí, Bullseye deixa de ser um simples mercenário e se torna a personificação do caos e da crueldade desenfreada.

Por que começar aqui? Porque Miller representa tudo: a rivalidade visceral com o Demolidor, o ciúme doentio de Bullseye para com qualquer um que o distraia, sua precisão assassina e sua instabilidade psicológica. Também encontramos nesta execução o arco comumente chamado “Última Mão”, que apresenta o confronto direto entre os dois homens após a morte de Elektra. Essas histórias estão disponíveis em inúmeras coleções e versões completas dedicadas à época de Miller, geralmente coletadas em volumes cronológicos fáceis de acompanhar.

As origens e a trajetória fundadora: de Wolfman a Miller

Para os leitores que gostam de voltar ao básico, vale a pena revisitar a primeira aparição do Bullseye, orquestrada por Marv Wolfman e John Romita Sr. em meados da década de 1970. O personagem já chega lá como um assassino arrogante e obcecado por sua reputação, mas seu personagem ainda permanece bastante clássico para a época.

Estas primeiras aparições, espalhadas por vários números de Temerário antes da chegada de Miller, mostre um vilão em construção. Descobrimos o seu gosto pela encenação, a sua mania de desafiar abertamente as autoridades e esta mistura de loucura e disciplina que o torna imprevisível. Esses episódios são especialmente interessantes para o completista: lançam luz sobre a matéria-prima que Miller iria sublimar.

Um ponto importante para o novo leitor: a biografia de Bullseye sempre foi deliberadamente vaga. A Marvel manteve seu nome verdadeiro e seu passado em mistério, e vários relatos mais tarde ofereceriam versões conflitantes de suas origens. Essa ambigüidade faz parte do personagem. Não procure uma história de origem definitiva como acontece com outros vilões: aqui, a imprecisão é uma escolha narrativa assumida.

As corridas essenciais para ler em ordem

Depois de Miller, várias equipes criativas fizeram do Bullseye um dos pilares de suas histórias. Aqui está a ordem de leitura que recomendo para acompanhar a evolução do personagem:

  1. A corrida de Frank Miller(final da década de 1970 – início da década de 1980): a fundação absoluta, com a morte de Elektra e “Last Hand”. Leia primeiro.
  2. “Demônio Guardião”, de Kevin Smith e Joe Quesada(final da década de 1990): este arco que relança Temerário for a New Era apresenta Bullseye em um papel brutal e lembra uma geração de leitores de sua periculosidade.
  3. A trajetória de Brian Michael Bendis e Alex Maleev sobre Temerário(início dos anos 2000): uma corrida neo-noir magistral onde Bullseye é o centro das atenções. Aí encontramos em particular o arco “Hardcore”, de violência seca, que coloca o assassino frente a frente com Matt Murdock e Elektra no contexto de uma guerra pelo controlo do crime de Nova Iorque.
  4. A corrida de Ed Brubaker e Michael Lark sobre Temerário(meados dos anos 2000): em continuidade direta com Bendis, esta série dá continuidade ao clima de suspense urbano e explora a sombra ameaçadora de Bullseye na vida de Murdock.

Esta sequência Miller → Smith → Bendis → Brubaker constitui a espinha dorsal de qualquer leitura séria de Bullseye. Essas corridas compartilham o mesmo DNA: tratam o Demolidor como um personagem de suspense noir e o Mercenário como a força do caos que sempre atrapalha a vida de Matt Murdock no pior momento.

As grandes sagas e crossovers para conhecer

Além da série Temerário, Bullseye desempenhou um papel fundamental em vários eventos importantes da Marvel, principalmente durante o chamado período de Reino Sombrio, na virada da década de 2010, quando Norman Osborn assumiu o controle do aparato de segurança americano.

Essas sagas mostram uma faceta essencial do personagem: sua capacidade de ser usado por manipuladores como Norman Osborn ou o Rei do Crime, permanecendo ao mesmo tempo uma bomba-relógio que ninguém realmente controla.

A era moderna: ressurreição e retornos retumbantes

A morte nunca foi um obstáculo duradouro nos quadrinhos, e Bullseye não é exceção. Após os acontecimentos de "Shadowland", o personagem retorna para assombrar o Demolidor em diversas histórias modernas.

A corrida de Charles Soule sobre Temerário, na segunda metade da década de 2010, coloca Bullseye novamente no centro das atenções com um arco que mais uma vez explora o ódio mútuo entre o assassino e Matt Murdock, em uma Nova York onde o Demolidor tenta reformar sua relação com a justiça. Soule joga habilmente com a pesada história que une os dois homens e nos lembra que, quaisquer que sejam os acontecimentos, eles permanecem ligados pelo assassinato de Elektra e por décadas de confrontos.

A era moderna confirma um princípio: o Bullseye sempre funciona melhor como um espelho do Demolidor. Cada nova equipe criativa do título, mais cedo ou mais tarde, terá que comparar seu herói com este Nemesis, já que sua rivalidade se tornou um pilar da identidade da franquia. Para o leitor moderno, essas tiragens oferecem uma entrada acessível, com desenhos contemporâneos e histórias em volumes completos e fáceis de encontrar nas coleções.

Pepitas para guardar para mais tarde: série centrada

Bullseye nunca teve uma série regular de longo prazo, mas a Marvel dedicou a ele várias minisséries que valem a pena desviar, uma vez que você já domina o personagem. Eu os recomendo Depois as grandes corridas Temerário, porque presumem que já conhecemos sua lenda.

Estas séries são complementos: enriquecem o retrato sem nunca substituir as corridas Temerário fundamental. Guarde-os para quando quiser ir além do básico.

Onde e como ler: edições, coleções e conselhos de carreira

A boa notícia é que a maioria das grandes histórias do Bullseye estão disponíveis em coleções. Aqui estão minhas dicas práticas para organizar sua leitura:

Um conselho para iniciantes: não tente ler tudo na estrita ordem de publicação. Em vez disso, siga a lógica do personagem. O fio condutor é sempre o Demolidor. Contanto que você tenha em mente que Bullseye é principalmente o reflexo sombrio de Matt Murdock, você não se perderá. Leia Miller para a lenda, Bendis e Brubaker para a intensidade noir, os eventos para o espetáculo e os solos para a curiosidade.

Por fim, uma nota para o colecionador: a popularidade duradoura do personagem, reforçada por suas adaptações para as telas, torna as primeiras aparições e questões relacionadas à morte de Elektra peças particularmente procuradas. Mas para a leitura pura, as coleções modernas oferecem a melhor relação conforto-conteúdo, com restaurações cuidadosas e volumes completos. Você pode descobrir toda a carreira de um dos assassinos mais arrepiantes da Marvel sem gastar muito.

Perguntas frequentes

O melhor lugar para começar é a corrida de Frank Miller Temerário, na virada das décadas de 1970 e 1980. É aqui que Bullseye se torna um verdadeiro ícone, especialmente com o arco que custa a vida de Elektra. Esta corrida configura toda a rivalidade fundadora com o Demolidor e continua sendo a referência absoluta.

Ele nunca teve uma série regular de longa duração, mas a Marvel dedicou várias minisséries a ele. Podemos citar “Bullseye: Greatest Hits” de Daniel Way e Steve Dillon, “Bullseye: Perfect Game” de Charlie Huston e Shawn Crystal, e a minissérie Alvo por Ed Brisson e Guillermo Sanna. Eles são melhor lidos depois de grandes corridas Temerário.

Sem hesitação, o assassinato de Elektra na corrida de Frank Miller no início dos anos 1980. Esta cena redefiniu o que um vilão poderia realizar em uma história em quadrinhos convencional e selou o ódio eterno entre Bullseye e Demolidor. Este é o momento fundador de sua lenda.

Durante o período Dark Reign, Norman Osborn recruta Bullseye e o faz assumir a identidade de Hawkeye dentro do Vingadores Sombrios, na direção de Brian Michael Bendis e Mike Deodato. Osborn reúne uma equipe de criminosos disfarçados de heróis, e Bullseye faz o papel do arqueiro, permanecendo um assassino psicopata.

Não, basta seguir as principais corridas. A parte principal é do quarteto Frank Miller, Kevin Smith, Brian Michael Bendis e Ed Brubaker no Temerário, complementado por grandes sagas de equipe como o Vingadores Sombrios , O Raios e “Terra das Sombras”. Essas leituras cobrem a maior parte da trajetória do personagem.