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Um Mark Jewelers insert é um encarte publicitário de quatro páginas, grampeado no centro do gibi, que anunciava alianças de noivado e joias destinadas a militares americanos. As fontes documentadas situam esses encartes entre 1972 e meados dos anos 1980, algumas estendendo até o início dos anos 1990, na Marvel, na DC e na Gold Key. Os exemplares em questão seguiam para os pontos de venda das bases militares, nos Estados Unidos e no exterior, o que faz deles um subconjunto de um subconjunto: a partir das edições datadas de outubro de 1980, o encarte só aparece em exemplares de banca, já minoritários. A CGC menciona o encarte na etiqueta, e um exemplar cujo encarte foi arrancado pode voltar com etiqueta verde "qualificada". O prêmio existe, mas é muito desigual: forte em uma edição-chave cobiçada, quase nulo no resto.

Existe nos quadrinhos americanos uma categoria de objetos que quase ninguém procurava na época em que circulavam e que ninguém ainda olha de verdade hoje em dia. Os encartes Mark Jewelers fazem parte dela. São páginas de publicidade de joalheria, impressas em um papel mais grosso que o resto da edição, inseridas no meio de alguns exemplares e somente de alguns. Nada na capa os anuncia. Nada nos sumários os menciona. É preciso abrir o gibi, ou olhar sua lombada, para saber.

Essa discrição é exatamente o que torna o assunto interessante e o que o torna traiçoeiro. Interessante porque um objeto que não se nota é um objeto que não se conserva: a mortalidade desses exemplares foi alta e a raridade deles é real. Traiçoeiro porque a raridade sozinha não cria valor, e a literatura disponível sobre o tema é escassa, dispersa e às vezes contraditória. Este artigo cumpre, portanto, duas promessas: dar a você um método de identificação que funciona e dizer com honestidade onde termina o que está estabelecido.

As edições-chave de Os encartes Mark Jewelers, o nicho que ninguém olha por ordem de importância

Um joalheiro, soldados e uma ideia comercial muito direcionada

O ponto de partida é uma operação de publicidade clássica na mecânica e singular no alvo. A Mark Jewelers era uma varejista de joalheria que fez acordo com editoras de quadrinhos para deslizar em certos exemplares um encarte anunciando alianças de noivado, alianças de casamento, relógios e colares. O alvo não era o leitor adolescente médio: era o militar americano em serviço, longe de casa e propenso a comprar uma joia para alguém que ficou no país.

O raciocínio comercial se lê sem esforço. Os quadrinhos eram um produto de consumo de massa presente nos pontos de venda das bases, inclusive no exterior. O público militar era jovem, muitas vezes solteiro ou recém-noivo, dispunha de um soldo regular e estava geograficamente isolado dos comércios onde faria essa compra de outra forma. Um encarte cartonado no meio de uma edição de vinte e cinco ou trinta e cinco centavos alcançava essa população por um custo irrisório. A operação era, em sua lógica, perfeitamente racional.

Sobre o próprio anunciante, porém, é preciso ser franco: a documentação é quase inexistente. As pesquisas publicadas por colecionadores que tentaram seguir a pista da empresa pararam por falta de vestígios. Uma investigação publicada em 2021 conta precisamente esse fracasso: o autor não encontrou nem certidão de nascimento nem certidão de óbito da empresa, e os homônimos contatados não tinham nenhum vínculo com ela. Várias fontes mencionam uma empresa de mesmo nome na Califórnia, mas uma delas observa que essa empresa foi criada em 1981, ou seja, vários anos depois dos primeiros encartes, o que torna a ligação duvidosa. Existem também joalheiros cujo nome se escreve com uma grafia próxima, sem relação estabelecida.

Em outras palavras: o objeto é documentado, o anunciante não. É uma assimetria incomum e explica parte da nebulosidade que cerca este nicho. Quando o emissor de uma variante é uma editora, é possível reconstituir tiragens, contratos, notas internas. Quando é um anunciante desaparecido, só restam os próprios exemplares.

O período e as editoras: o que está estabelecido, o que varia conforme as fontes

Os limites temporais diferem de uma fonte para outra, e é melhor apresentar essa diferença do que escondê-la.

A referência mais citada situa os encartes entre 1972 e 1986. Levantamentos de colecionadores identificam exemplares já nas edições datadas de agosto de 1972, citando em particular Action Comics #415 e House of Secrets #99 como os mais antigos encontrados na DC. Um levantamento dedicado às séries de licença documenta um intervalo de novembro de 1972 a julho de 1986. Outras fontes, notadamente lojas especializadas, estendem a prática até o início dos anos 1990. Parte desse desacordo vem provavelmente do método: identificar o último encarte supõe ter examinado séries inteiras, exemplar por exemplar, o que ninguém fez de forma exaustiva.

Sobre as editoras, o consenso é mais nítido. Marvel e DC são sistematicamente citadas. A Gold Key aparece nos levantamentos mais antigos, com uma nuance útil: certas edições da Gold Key do início dos anos 1970 continham um anúncio Mark Jewelers de uma única página, impresso no papel comum da edição, e não um encarte distinto. Esses exemplares não constituem uma variante, já que toda a tiragem os trazia. A distinção é fundamental e merece ser retida: o que faz a variante não é a presença de um anúncio de joalheria, é a presença de um encarte fisicamente separado que somente parte da tiragem recebeu.

Outra observação estruturante consta nos levantamentos: a partir das edições datadas de outubro de 1980, os encartes Mark Jewelers só aparecem em exemplares da edição de banca. Isso não vem de uma decisão do anunciante, mas da reorganização da distribuição americana, em que a rede das livrarias especializadas se separa progressivamente da rede de imprensa. Para quem já conhece a distinção entre edição de banca e edição de livraria, a consequência é imediata: nas edições posteriores a essa data, um exemplar com encarte é necessariamente um exemplar de banca, e a raridade do encarte se soma à do exemplar de banca, já real.

Por que esses exemplares são raros: três filtros sucessivos

A raridade dos exemplares com encarte não vem de uma tiragem limitada decidida pela editora. Vem do empilhamento de três filtros independentes, e é isso que a torna difícil de quantificar.

1

O filtro de destino

1972-1986 · circuito das bases militares
O mais determinante

Apenas uma fração da tiragem recebia o encarte, e essa fração seguia para os pontos de venda das bases militares americanas, tanto no território nacional quanto no exterior. Um leitor que comprava seu gibi em uma drogaria comum não tinha nenhuma chance de encontrar um exemplar com encarte. A geografia da distribuição, e não a tiragem, é o primeiro fator de raridade.

Vale saber: as fontes divergem sobre a extensão exata do circuito, algumas limitando-o às bases do território americano, outras incluindo explicitamente as instalações no exterior. A maioria dos levantamentos considera as duas.
2

O filtro da banca

A partir das edições datadas de outubro de 1980
Raridade empilhada

Na segunda metade do período, o encarte só existe na edição de banca. Ora, a banca se torna ela mesma minoritária ao longo dos anos 1980, à medida que a livraria especializada absorve o mercado. Procurar um exemplar com encarte em uma edição de 1984 equivale, portanto, a procurar uma subpopulação de uma população já reduzida. É o que um observador descreveu como uma raridade em vários andares, difícil de acompanhar.

Vale saber: se você já trabalha com a autenticação de exemplares de banca, o encarte se procura no mesmo gesto, nas mesmas edições.
3

O filtro da remoção

Permanente, e ainda em curso
O mais subestimado

O encarte é rígido. As primeiras versões eram impressas em cartão, as seguintes em papel brilhante grosso. Nos dois casos, a edição se folheia mal e abre torta. Muitos leitores simplesmente removeram o encarte para ler com conforto. Cada remoção destrói uma variante sem destruir o gibi: o exemplar sobrevive, a particularidade desaparece.

Vale saber: esse filtro continua agindo. Um exemplar com encarte comprado hoje pode perder sua particularidade nas mãos do próximo dono, por simples descuido ou por desconhecer o que tem em mãos.

Resta a questão do número. Lê-se por vezes que cerca de 2% da tiragem teria recebido o encarte. Essa estimativa circula em obras de referência, mas é apresentada como opinião e não como medição. Os levantamentos de colecionadores mais prudentes dizem outra coisa: a proporção entre exemplares comuns e exemplares com encarte é desconhecida, e constata-se apenas que os segundos são claramente menos numerosos. Essa é a formulação honesta, e é a que se deve adotar. Se quisermos raciocinar seriamente sobre esses volumes, é melhor empregar os métodos gerais de estimativa de tiragem e de raridade do que repetir uma porcentagem cuja fonte ninguém conhece.

Método de identificação: seis gestos, nesta ordem

A identificação está ao alcance de qualquer um, desde que se proceda na ordem certa e não se pule a etapa da lombada, que é a mais rápida.

1

Verificar primeiro a janela de datas

Olhe a data indicada no expediente, no pé da primeira página. Se for anterior a 1972 ou posterior ao fim dos anos 1980, a hipótese do encarte se torna muito improvável e você pode parar por aí. Esse reflexo evitará inspecionar centenas de edições à toa. Nas edições posteriores a outubro de 1980, acrescente uma segunda condição: o exemplar deve ser uma edição de banca, identificável pelo código de barras.

2

Examinar a borda superior, com o gibi fechado

É o gesto mais eficaz e menos arriscado. Apoie a edição fechada e olhe a borda de cima em luz rasante. Um encarte em papel grosso cria uma faixa visível no meio da espessura, muitas vezes de uma cor diferente do papel jornal ao redor. As descrições de colecionadores falam de uma faixa de papel pesado, às vezes azulada, identificável sem abrir o gibi. Essa inspeção não manuseia nada e, portanto, não corre o risco de danificar os grampos.

3

Abrir no centro, sobre uma superfície plana

O encarte é grampeado no centro da edição, no lugar da página dupla central. Abra o gibi sobre a mesa, sem forçar a lombada, até chegar ao meio. O encarte se impõe por si mesmo: é mais rígido, mais brilhante, e seu formato pode ser muito ligeiramente diferente do das páginas do gibi. Nunca dobre a capa para trás para ir mais rápido: é o gesto que cria vincos na lombada.

4

Contar as páginas e ler o que elas anunciam

O encarte típico representa cerca de quatro páginas de publicidade, dedicadas a alianças de noivado, alianças de casamento, relógios e colares. O conteúdo deve ser uma publicidade de joalheria em nome da Mark Jewelers, não uma publicidade de joalheria qualquer. Existiram outros encartes do mesmo tipo para outros anunciantes do setor, em edições do início dos anos 1970: um anúncio de joias em papel grosso não é, portanto, por si só, prova de um Mark Jewelers.

5

Distinguir o encarte da simples página de publicidade

Se a publicidade de joalheria está impressa no papel comum da edição e faz parte da paginação normal, você não tem uma variante: toda a tiragem a trazia. É o caso documentado de algumas edições da Gold Key do início dos anos 1970. O critério é físico e sem ambiguidade: o encarte é um caderno distinto, em outro papel, acrescentado no momento da montagem.

6

Procurar um código de encarte e depois registrar o resultado

Os levantamentos mais detalhados registram a presença, em alguns encartes, de um pequeno código alfanumérico que permite distinguir as versões sucessivas da publicidade. Esse nível de detalhe interessa apenas a um punhado de especialistas, mas existe. Em todos os casos, termine escrevendo o que você constatou no seu inventário, ao lado da edição em questão: encarte presente, ausente ou parcialmente arrancado. Sem essa anotação, a informação se perderá na primeira arrumação.

Quando o encarte foi retirado: o que isso muda de verdade

É o ponto em que o nicho deixa de ser uma curiosidade e se torna uma questão séria de avaliação, e também aquele em que é preciso mais prudência.

Um exemplar cujo encarte foi arrancado coloca um problema de natureza particular. Não se trata de um defeito de estado comum, como um vinco ou uma descoloração: trata-se de uma página faltando. Ora, uma página faltando não é tratada pelos serviços de classificação como desgaste, mas como incompletude. As observações relatadas por colecionadores indicam que a CGC atribui nesse caso uma etiqueta verde, dita "qualificada", que sinaliza explicitamente que o exemplar está incompleto em relação ao que deveria ser. O mesmo princípio vale de forma mais ampla: um encarte grampeado na edição faz parte do objeto, e sua ausência deve ser mencionada.

Duas consequências práticas decorrem daí, e vão em direções opostas.

A primeira é desagradável. Se você possui um exemplar de banca de uma edição conhecida por ter recebido encartes, e a página dupla central está faltando, seu exemplar não é simplesmente um exemplar comum: pode ser percebido como um exemplar com encarte amputado, com a etiqueta que vem junto. Em uma edição procurada, essa distinção conta.

A segunda é um alerta contra o reparo. A ideia de recolar no lugar um encarte reencontrado parece sedutora: deve ser evitada absolutamente. Intervenções desse tipo são restauração, e a restauração se sinaliza por uma etiqueta distinta da de incompletude. Querer corrigir um defeito de incompletude acrescentando material equivale a trocar uma sinalização por outra, geralmente pior recebida. A regra é simples: não se acrescenta nada a um gibi de coleção, e também não se retira nada. O detalhe dessas categorias de etiquetas é tratado em nosso guia sobre a classificação CGC.

Última precisão, e é importante para não interpretar demais: as fontes de colecionadores notam que o encarte é mencionado na etiqueta, mas também que essa menção foi às vezes omitida, obrigando proprietários a reetiquetar seu exemplar. A ausência de menção em uma etiqueta antiga não prova, portanto, a ausência de encarte. É contraintuitivo e é uma fonte frequente de erro neste nicho.

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O efeito sobre o valor, e por que é tão desigual

Esta é a parte em que a honestidade mais importa, porque é a que as discussões de colecionadores mais gostam de deformar.

O prêmio existe e está documentado em edições precisas. O exemplo mais citado diz respeito a Werewolf by Night #32, primeira aparição de Moon Knight. Um levantamento publicado por um serviço de acompanhamento de cotações indica que um exemplar nota 6.5 com encarte Mark Jewelers foi vendido em 31 de outubro de 2020 por 1.975 dólares, enquanto o valor de mercado estimado de um exemplar comum da mesma nota ficava em torno de 975 dólares. A diferença, nessa venda, é da mesma ordem que o valor do próprio gibi. É um caso real, datado e documentado.

Mas é preciso colocar imediatamente a contrapartida, e ela é massiva: esse caso não é representativo. Na maioria das edições, o encarte não produz nada, ou tão pouco que a diferença se perde na dispersão normal dos preços. Os mesmos levantamentos que documentam o prêmio em uma edição-chave mencionam em outro ponto exemplares com encarte de séries medianas vendidos em níveis mal distinguíveis dos de exemplares comuns, ou até em queda em relação a transações anteriores. Os comentaristas mais lúcidos deste nicho dizem sem rodeios: a raridade está presente em toda parte, mas o prêmio só se materializa onde um comprador o faz existir.

O mecanismo é na verdade simples de entender e vale muito além dos Mark Jewelers. Uma particularidade de exemplar não cria demanda, ela a segmenta. Em uma edição em que milhares de pessoas disputam os exemplares, uma subcategoria rara fornece um critério de desempate, e o preço se afasta. Em uma edição em que a demanda é fraca, a mesma subcategoria rara não desempata nada, porque não há ninguém a desempatar. O encarte não fabrica, portanto, valor: amplifica um valor que já existia. É a lógica que se encontra em todo o campo das particularidades de edição, e que detalhamos no guia das capas variantes.

Três fatores explicam concretamente a desigualdade observada.

Primeiro, a própria edição. Uma primeira aparição importante atrai uma população de compradores ampla o bastante para que uma fração deles se interesse pelas particularidades. Uma edição de meio de série não atrai ninguém com esse perfil. É por isso que as listas de edições com encarte que circulam entre colecionadores são quase todas listas de edições que já são chave por outros motivos: edições de Uncanny X-Men, de New Mutants ou de Amazing Spider-Man. O encarte é ali um suplemento, não o assunto.

Depois, a nota. Em um exemplar de nota alta, a raridade combinada do encarte e do estado cria uma população de algumas dezenas de exemplares, às vezes menos, e é aí que as diferenças de preço se tornam visíveis. Em um exemplar médio ou danificado, o encarte praticamente não muda nada, porque quem compra um exemplar de leitura não compra uma particularidade.

Por fim, a notoriedade da própria particularidade. Uma variante conhecida por todos se negocia com uma diferença estável, porque todo mundo sabe quanto ela vale. Uma variante conhecida por um punhado de pessoas se negocia de forma errática: conforme o vendedor saiba ou não o que vende, e o comprador saiba ou não o que compra, o mesmo objeto pode passar pelo preço de um exemplar comum ou pelo dobro. Os encartes Mark Jewelers ainda estão nessa segunda situação, e é justamente isso que faz deles um nicho.

Para quem este nicho faz sentido, e para quem não faz

É preciso dizer claramente por que este assunto continua marginal, porque as razões são estruturais e não vão desaparecer.

A primeira razão é a invisibilidade. Uma variante de capa se vê a um metro; um encarte não se vê de jeito nenhum. Uma particularidade que não se pode mostrar sem abrir o objeto, e que não se pode mais mostrar depois que o objeto é lacrado, se difunde mal. Ela só existe pela menção em uma etiqueta, isto é, por um intermediário.

A segunda razão é a fragilidade do corpus. Como ninguém colecionava esses exemplares na época, ninguém fez a lista completa. Não existe um censo exaustivo das edições envolvidas, apenas listas parciais feitas por colecionadores a partir de seus próprios achados. Essa ausência de referencial impede o nicho de se estruturar: não se pode colecionar metodicamente um conjunto cujos contornos são desconhecidos.

A terceira razão é cultural e vale particularmente fora dos Estados Unidos. A mola desta coleção é em parte memorial: toca a vida dos militares americanos em guarnição, bases cujos nomes não dizem nada a um leitor brasileiro e uma prática comercial própria desse contexto. Essa dimensão, que alimenta o interesse nos Estados Unidos, não se transpõe.

Ainda assim, este nicho tem um sentido preciso para três perfis.

O colecionador que já trabalha com banca encontra nele uma extensão natural. Se você de qualquer forma inspeciona os códigos de barras e as datas de seus exemplares dos anos 1980, acrescentar uma olhada na lombada não custa nada e pode revelar uma particularidade em um lote já comprado. É a melhor relação entre esforço e resultado de todo o assunto.

O caçador de caixas de promoção encontra nele uma vantagem de informação. Em um mercado em que a maioria dos vendedores não olha a lombada, saber olhar é uma vantagem real. Os relatos de colecionadores que descrevem ter achado um exemplar com encarte em uma caixa de preço baixo não são lendas: são a consequência direta de a informação não ser compartilhada.

O colecionador de longo fôlego em uma única série encontra nele um objetivo suplementar. Se você completa uma série inteira dos anos 1970 ou 1980, a versão com encarte de algumas edições constitui um prolongamento coerente, à maneira de uma segunda camada posta sobre um conjunto já formado. É um projeto de duração, não uma operação.

Em compensação, este nicho não faz nenhum sentido para quem busca rendimento. Os encartes não são documentados o bastante, nem líquidos o bastante, nem valorizados de modo uniforme o bastante para constituir uma estratégia. Quem compra um exemplar com encarte esperando o prêmio observado em uma edição-chave se prepara para uma decepção nas outras noventa e nove.

Como registrar a coisa em uma coleção

Um último ponto prático, muitas vezes negligenciado, e que determina se todo esse trabalho de identificação serve para alguma coisa.

Uma particularidade invisível desaparece da memória de uma coleção em poucos meses. Você identifica um encarte, fica contente, guarda o gibi e, dois anos depois, não sabe mais qual dos seus três exemplares dessa edição o trazia. O problema não é a identificação, é o rastro.

A boa prática consiste em tratar o exemplar com encarte como uma entrada distinta no inventário, e não como uma nota jogada em um comentário. Concretamente: uma linha por exemplar, com a menção do encarte, seu estado e, se possível, uma fotografia da lombada e da página dupla central. A fotografia da lombada tem uma utilidade particular: é a prova que você poderá mostrar sem abrir de novo a edição. É exatamente o tipo de informação que um aplicativo de controle de coleção é feito para reter e que o fichário de papel perde sistematicamente.

É preciso registrar também os negativos. Anotar que um exemplar específico não traz nenhum encarte tem tanto valor quanto o inverso, porque dispensa você de reinspecioná-lo. Em uma série de cento e cinquenta edições na janela de datas certa, a diferença entre uma lista de inspeções mantida e uma não mantida representa várias horas de trabalho refeito.

Por fim, uma recomendação de conservação. Se você possui um exemplar com encarte, o risco principal não é o desgaste, mas a remoção acidental, por você ou por outra pessoa. Um gibi com encarte abre mal, e é forçando a abertura que se arranca a página dupla central. Manuseie-o sobre uma superfície plana, limite as consultas e, se o exemplar tem valor, considere que um saco rígido protege aqui tanto a particularidade quanto o estado. Uma estimativa prévia dirá se essa precaução se justifica para o exemplar que você tem em mãos.

Perguntas frequentes

Olhe a borda superior da edição fechada, em luz rasante. Um encarte impresso em cartão ou em papel brilhante grosso forma uma faixa visível no meio da espessura, muitas vezes de uma cor distinta do papel jornal ao redor. Essa verificação leva três segundos e não manuseia nada, portanto não corre o risco de danificar os grampos. Verifique antes a data de publicação: antes de 1972 e depois do fim dos anos 1980, a hipótese é muito improvável. Nas edições datadas de outubro de 1980 em diante, acrescente uma condição suplementar: o exemplar deve ser uma edição de banca.
Não, e é o mal-entendido mais difundido sobre o assunto. O prêmio se manifesta em edições já muito procuradas, em que uma população de compradores suficientemente ampla se interessa pelas particularidades de exemplar. Em uma edição de meio de série, a mesma raridade não produz nenhuma diferença mensurável, porque não há compradores suficientes para que a distinção sirva para desempatar o que quer que seja. O encarte não inventa valor, amplifica um valor preexistente. Na grande maioria das edições envolvidas, essa amplificação é nula ou diluída na dispersão normal dos preços.
Não se trata de um defeito de desgaste, mas de uma página faltando, o que é tratado de modo diferente. As observações relatadas por colecionadores indicam que a CGC atribui nesse caso uma etiqueta verde, dita qualificada, que sinaliza que o exemplar está incompleto. Sobretudo, nunca tente recolar um encarte reencontrado: uma intervenção desse tipo é restauração e resulta em uma etiqueta ainda menos favorável. A regra geral se aplica aqui sem exceção: não se acrescenta nada nem se retira nada de um gibi de coleção.
Porque o anunciante não mirava o grande público, mas uma população precisa: os militares americanos em serviço, tanto no território nacional quanto no exterior. Somente os exemplares destinados aos pontos de venda das bases recebiam o encarte, o resto da tiragem saía sem ele. Não se trata, portanto, de uma tiragem limitada decidida pela editora, mas de uma segmentação da distribuição. É essa geografia, e não uma raridade desejada, que explica a pequena proporção de exemplares envolvidos. As fontes divergem sobre a extensão exata do circuito, mas a maioria considera ao mesmo tempo as bases americanas e as instalações no exterior.
Ninguém sabe com certeza, e é melhor admitir. Um número de cerca de 2% circula em algumas obras de referência, mas ali é apresentado como opinião e não como medição, e nenhuma fonte documenta seu método de cálculo. Os levantamentos de colecionadores mais rigorosos se limitam a dizer que a proporção é desconhecida e que os exemplares com encarte parecem claramente menos numerosos que os exemplares comuns. Diante dessa incerteza, raciocine em raridade relativa e em dificuldade de achado, e não em porcentagem precisa.
Não, duas verificações se impõem. Primeiro, o anúncio deve ser em nome da Mark Jewelers: outros anunciantes do setor de joalheria usaram encartes comparáveis em edições do início dos anos 1970. Depois, deve se tratar de um caderno fisicamente distinto, acrescentado na montagem, e não de uma página impressa na paginação comum da edição. Algumas edições do início dos anos 1970 continham um anúncio Mark Jewelers de uma única página em papel comum: toda a tiragem o trazia, portanto não há nenhuma variante a procurar nesse caso.
Os levantamentos mais citados situam os encartes entre 1972 e 1986, com exemplares identificados já nas edições datadas de agosto de 1972. Algumas fontes estendem a prática até o início dos anos 1990, sem que o último encarte esteja estabelecido com certeza. Na prática, concentre-se nas edições Marvel e DC dos anos 1970 e da primeira metade dos anos 1980, que constituem o essencial do corpus documentado. No período posterior a outubro de 1980, limite sua inspeção aos exemplares da edição de banca, já que o encarte não aparece em outro lugar.
Não, e é uma armadilha real. Os colecionadores que acompanham este assunto relatam que a menção do encarte foi às vezes omitida em etiquetas, obrigando proprietários a reetiquetar seu exemplar para que a particularidade aparecesse. Uma etiqueta antiga e muda não é, portanto, prova negativa. Se você comprar um exemplar lacrado de uma edição conhecida por ter recebido encartes, peça fotografias que permitam julgar e trate a ausência de menção como uma incerteza e não como uma resposta.
Aviso sobre marcas: os títulos e os nomes de personagens mencionados são marcas registradas de seus respectivos editores. CGC é uma marca registrada da Certified Guaranty Company. My Comics Collection não é afiliado a nenhuma editora de quadrinhos nem a nenhum serviço de classificação. As referências são feitas com fins puramente informativos e descritivos. Os valores citados correspondem a transações públicas datadas e não constituem nem cotação, nem garantia de valor, nem aconselhamento de investimento.