O melhor run do Blue Beetle é a série de 2006 de John Rogers, Keith Giffen, Cully Hamner e Rafael Albuquerque, dedicada a Jaime Reyes. Vêm depois a Justice League (1987) de Giffen, DeMatteis e Maguire, o reencontro deles em 2003, a série de Ditko para a Charlton (1967), a série de Len Wein (1986) e o relançamento de 2011. Cada run se dirige a um portador diferente e, portanto, a um leitor diferente.
Classificar os runs do Blue Beetle apresenta um problema que poucos personagens compartilham: o nome cobre três portadores sucessivos, duas editoras e pelo menos cinco séries que recomeçam cada uma no número um. Colocar na mesma escala a história de um adolescente texano, uma comédia de escritório sobre heróis fracassados e um número de uma editora desaparecida há décadas exige dizer antes o que estamos medindo. Nosso critério é a leitura: qual desses blocos vale a pena frequentar por si só, e qual é apenas um pedaço de história.
Como sempre neste guia, apenas fatos verificados (autores, números, datas) são apresentados como certos; a análise é nossa, sem reprodução de arte ou diálogos protegidos.
Como ler esta classificação
Para separar séries que não se parecem entre si, fizemos a cada uma uma única pergunta: se um leitor abrisse apenas este bloco, entenderia por que o Blue Beetle ainda existe? A resposta depende de três coisas verificáveis nas próprias edições. Primeiro, a clareza sobre o portador: a história sabe quem está sob o capacete e que diferença isso faz? Segundo, a independência: é possível começar pelo número um sem conhecer a sucessão de crises da editora? Por fim, a permanência: outros roteiristas ainda retomam hoje o registro escolhido pela equipe criativa?
Top 1: John Rogers, Keith Giffen, Cully Hamner e Rafael Albuquerque, Blue Beetle (2006-2009)
Trinta e seis edições, de 2006 a 2009, para estabelecer Jaime Reyes. O personagem faz uma aparição notável em Infinite Crisis #3, no início de 2006, e recebe a própria série alguns meses depois. John Rogers escreve, Keith Giffen ajuda a dar forma aos primeiros episódios, Cully Hamner desenha a abertura e Rafael Albuquerque assume depois os desenhos da maior parte da série.
A história começa com um estudante do ensino médio de El Paso que encontra um escaravelho azul, que se enxerta em sua coluna e lhe dá uma armadura. O que a série faz com isso é preciso: o objeto vem de uma espécie expansionista, os Reach, tem voz e intenções próprias, se chama Khaji Da e propõe soluções que seu portador recusa. Jaime negocia com a arma como se negocia com um colega de apartamento intrometido. Seus amigos Paco e Brenda, a irmã e os pais sabem quase tudo desde as primeiras edições, o que despoja o gênero de seu recurso mais gasto, a mentira permanente diante de quem está ao redor.
Por que importa para o personagem: é o run que dá ao Blue Beetle uma identidade que não depende mais de outro herói. O público é amplo: mesmo sem ter aberto nunca um quadrinho dessa editora, é possível acompanhar, porque os primeiros capítulos expõem tudo o que é preciso saber. Oferece ainda uma cidade real, uma fronteira, uma família trabalhadora: um cenário que explica por que a adaptação cinematográfica de 2023 manteve a maior parte dele.
Como colecionar: em edições avulsas, os números de 1 a 36 são fáceis de reunir, e a série está entre as mais acessíveis do personagem; ela também foi reeditada em volumes encadernados em vários tomos. Se você quer apenas ler, prefira as edições encadernadas; se busca o objeto, confira o número 1 pelos dados de impressão e procure as tiragens seguintes. Nosso guia sobre a série de Jaime Reyes cobre a leitura do começo ao fim.
Top 2: Keith Giffen, J.M. DeMatteis e Kevin Maguire, Justice League (1987)
O segundo lugar não é uma série do Blue Beetle, e justamente por isso tem peso: a Justice League lançada em maio de 1987 é o lugar onde Ted Kord se torna o personagem que os leitores defendem. Keith Giffen constrói as tramas, J.M. DeMatteis escreve os diálogos, Kevin Maguire desenha, com um talento para fazer os rostos atuarem que poucos artistas da época tinham. O título leva primeiro o nome simples de Justice League e depois passa a Justice League International.
A premissa é uma equipe de heróis, uns de primeira linha e o resto, entre eles Ted Kord e Booster Gold, não. O motor dramático e cômico nasce dessa diferença. As reuniões se arrastam, a sede tem problemas de orçamento, os egos colidem. Ted já não é apenas mais um combatente do crime: é quem faz a pergunta que os superhumanos não fazem. Nosso artigo sobre Ted Kord na equipe de 1987 desenvolve o que esse registro mudou no personagem.
Para quem é: o leitor que gosta de comédia coral, os apreciadores do diálogo e quem quer entender por que um inventor sem poderes inspira tanta lealdade. Exige, porém, aceitar um contexto de época, com alusões a acontecimentos editoriais do fim dos anos oitenta que às vezes é preciso adivinhar.
Como colecionar: a equipe criativa original assinou os primeiros anos, mas os números não têm todos o mesmo nível e a série trocou de equipe depois; limite suas compras aos números da equipe Giffen, DeMatteis e Maguire, apoiando-se nos créditos do colofão mais do que na capa. As edições encadernadas reuniram esses episódios em inglês; confira no catálogo quais números cada uma contém antes de comprar, porque nem todos os volumes cobrem o mesmo intervalo. Para a dupla, leia também a amizade entre Ted Kord e Booster Gold.
Top 3: Giffen, DeMatteis e Maguire, Formerly Known as the Justice League (2003)
A mesma equipe se reúne dezesseis anos depois para uma minissérie de seis edições, Formerly Known as the Justice League, publicada em 2003, e depois para uma segunda parte em JLA Classified, intitulada I Can't Believe It's Not the Justice League (2005). Os antigos integrantes da formação voltam a se juntar, desta vez como uma agência de superheróis particulares chamada Super Buddies, dirigida por Maxwell Lord. O tom é de autoparódia declarada, uma homenagem à série de 1987 que ao mesmo tempo ironiza tudo o que ela havia estabelecido.
Por que importa: esse reencontro fixa o lugar de Ted Kord na memória dos leitores pouco antes do seu desaparecimento. Maxwell Lord, que dirige a agência, é quem mata Ted Kord em Countdown to Infinite Crisis, em 2005; reler a minissérie de 2003 muda, portanto, de cor assim que se sabe o que vem depois. É um conjunto que ganha profundidade com o tempo, e dedicamos um artigo à parte à morte de Ted Kord.
Para quem é: o leitor que já experimentou o registro de 1987 e quer conferir se ele se sustenta. Não é um ponto de entrada; sem a série original, algumas piadas se perdem. Como colecionar: as seis edições da minissérie cabem em uma edição encadernada, e os seis episódios de JLA Classified aparecem tanto em edições avulsas quanto em um volume; a ordem de leitura recomendada é a da publicação.
Top 4: Steve Ditko, Blue Beetle na Charlton (1967-1968)
Ted Kord nasce em Captain Atom #83, em 1966, sob o lápis de Steve Ditko, antes de ganhar a sua série na Charlton. Essa série tem cinco edições, de 1967 a 1968, e é numerada de forma independente das versões anteriores do personagem, o que explica a confusão que descrevemos em nosso artigo sobre a numeração do Blue Beetle.
A história apresenta o inventor milionário, suas máquinas, seu veículo voador apelidado de Bug e um registro de aventura leve, diferente da arqueologia mística de Dan Garrett. Ditko desenha, e os créditos de roteiro variam de edição para edição; verifique o colofão em vez de supor. O interesse é duplo. De um lado, é o material original do personagem sem poderes, do qual se serviram todos os autores seguintes. De outro, Ditko mostra em poucas páginas como tratava um herói que só tem as próprias ideias com que trabalhar.
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Top 5: Len Wein e Paris Cullins, Blue Beetle (1986-1988)
É a primeira série solo de Ted Kord na sua editora atual: vinte e quatro edições, de 1986 a 1988. Len Wein lança a série e Paris Cullins a desenha; o personagem, adquirido junto com outros de uma editora extinta, precisa encontrar seu lugar em um universo já saturado. A série o trata como um técnico, e não como um superhumano, com uma empresa, gadgets e uma relação tensa com o próprio legado.
Por que importa: é a única vez em que Ted Kord carrega uma série própria nessa editora, e o run liga os anos da Charlton à comédia da Justice League que surge quase na mesma época. Sua posição se apoia em um fato simples: a revista não encontrou seus leitores, e a fama de Ted Kord vem da Justice League de 1987 e não destas vinte e quatro edições. Nosso artigo sobre a série de 1986 descreve o que ela tentou.
Para quem é: o completista de Ted Kord e o leitor curioso por um personagem de transição. Como colecionar: uma série curta e fechada de vinte e quatro edições avulsas, sem edição encadernada de referência que saibamos, portanto só edições originais. Essa finitude a torna um bom projeto de coleção para quem gosta de séries com limites claros.
Top 6: Tony Bedard e Ig Guara, Blue Beetle (2011-2013)
A última entrada da classificação é a série lançada com o relançamento de 2011: dezesseis edições, de 2011 a 2013, com Tony Bedard na escrita e Ig Guara no desenho. Leva Jaime Reyes a um universo reescrito: ele volta a ser um estudante do ensino médio de El Paso, mas o escaravelho e a história da armadura são reorganizados, e a família perde parte do lugar central que tinha em 2006.
Por que importa: prova que o personagem se sustenta sem a equipe original e que Jaime pode mudar de mãos sem perder seu contorno. Por que fica em sexto: os leitores que amaram a série de 2006 encontram menos do que a tornava encantadora, e o relançamento foi em grande parte superado por continuidades mais recentes.
Para quem é: quem quer uma versão mais dinâmica e compacta, com mais ação desde o início. Como colecionar: apenas dezesseis edições, uma série curta e, portanto, fácil de reunir, publicada numa época de tiragens confortáveis; as edições não são raras, e o estado de conservação faz a diferença. Existem capas variantes para algumas edições desse período, mas sem uma fonte confiável não citamos nenhuma.
Por onde começar, conforme o seu perfil
Você não conhece o personagem: pegue o Top 1. Trinta e seis edições, um portador claro, uma história que se explica sozinha. O filme de 2023 se apoia nesta série; nosso artigo filme e quadrinhos compara os dois.
Você gosta de comédia de equipe: vá direto ao Top 2, depois ao Top 3. As duas se leem nessa ordem, e o prazer da segunda pressupõe a primeira.
Você é leitor da Era de Prata: o Top 4 é para você, com a precaução de identificar antecipadamente as edições que lhe faltam, já que a oferta é mais estreita do que nas séries modernas.
Você quer ler sem comprar edições antigas avulsas: prefira as edições encadernadas do Top 1 e do Top 3. São os dois conjuntos mais fáceis de encontrar em volumes.
O que estes runs valem em uma coleção
O valor de um run do Blue Beetle não se lê na fama do portador, mas na idade da edição. Uma observação salta aos olhos de quem compara anúncios: o portador mais conhecido do grande público costuma ser o que custa menos, porque suas edições foram impressas em quantidade e reimpressas, enquanto as mais antigas, pouco lidas, continuam sendo as mais procuradas. A escassez segue os anos, não a celebridade.
O método consiste, portanto, em comparar as séries entre si da mesma maneira. Tome a mediana das vendas concluídas de uma edição específica, no mesmo período e no mesmo estado, e depois compare o valor do Top 4 com o do Top 1: a proporção lhe dirá melhor do que qualquer número isolado em que posição cada run se encontra. Faça o mesmo entre exemplares não certificados e certificados, lembrando que o segmento certificado é estreito nas séries modernas e não permite conclusões firmes.
Perguntas frequentes
A série de 2006 de John Rogers e Keith Giffen, desenhada por Cully Hamner e depois por Rafael Albuquerque. São trinta e seis edições, lidas sem conhecimento prévio, que estabelecem Jaime Reyes com sua família, seu escaravelho falante e sua cidade de El Paso. É também a fonte mais direta do filme de 2023.
Sim, se você quer entender por que os leitores gostam dele. A série de Giffen, DeMatteis e Maguire o transforma, junto com Booster Gold, no contraponto cômico de uma equipe de heróis de primeira linha. As edições solo de 1986 preparam o terreno, mas foi a equipe que fixou o seu caráter.
Porque o título foi relançado a cada mudança de editora, de portador ou de continuidade: Charlton em 1967, DC em 1986, depois 2006 e 2011. Cada série recomeça no número um, com capas parecidas. Confira o ano e o crédito da editora no colofão antes de qualquer compra.
Para um leitor da Era de Prata, sim: é o nascimento de Ted Kord e a arte de Steve Ditko aplicada a um herói sem poderes. Para um leitor moderno, o formato e os diálogos parecem datados. As edições são mais raras e, portanto, mais caras do que as séries recentes.
Não, mas ele vem depois. As dezesseis edições de Tony Bedard e Ig Guara oferecem uma versão mais acelerada de Jaime Reyes, útil se você gostou de 2006 e quer uma continuação em outro ritmo. Não é uma primeira compra, e a família tem menos destaque ali.
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